The Normal Heart – O Amor e os problemas não fazem distinção

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Com um elenco estelar e um tema sensível, a HBO traz ao público sua nova produção, The Normal Heart, drama bonito e comovente que estreia no Brasil hoje, 31 de maio, ás 22h.

Tratar de um tema complicado como o vírus da AIDS não é novidade no cinema, temos o clássico Philadelphia e o recente Dallas Buyers Club como exemplos, um lidando com o preconceito e os dilemas sociais que um homossexual sofre ao se dizer infectado, e o outro mostrando o preconceito interno de um machão homofóbico ao se descobrir infectado. Mas The Normal Heart traz uma perspectiva quase que inédita, tratando da forma em que os homossexuais lidaram com o surgimento da epidemia do “câncer gay” no inicio dos anos 80.

A história traz o escritor homossexual Ned Weeks (Mark Ruffalo), que tenta tomar uma providência ao ver seus amigos morrendo vitimas de uma doença desconhecida, tratada pela mídia como uma praga gay. Ned se junta a Doutora Emma Brookner (Julia Roberts) para tentar frear o crescimento da epidemia, criando um grupo de informação e conscientização para pessoas interessadas. No caminho eles tem que lidar com o descaso do governo, e o desinteresse até mesmo dos homossexuais em saber do que se trata.

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A trama segue cheia de grandes conflitos que são muito bem tratados em cena, a dificuldade da família conservadora em aceitar um homossexual como um igual, a dificuldade de conscientizar grupos mais liberais e promíscuos, a impotência dos médicos em localizar o problema, as teorias de conspiração governamentais e os conflitos dentro do próprio movimento gay, onde algumas lideranças ainda tinham medo de se mostrar ao mundo, e de ganhar apenas mais rejeição da sociedade.

O filme aborda os acontecimentos da época sim, a falha das politicas nacionais americanas, mas no meio de toda essa trama quase que procedural, existe o altíssimo fator sentimental, ponto forte do longa. As perdas, o luto e o amor tardiamente encontrado, e retratado de maneira honesta e real dão ao filme uma importância muito grande.

A presença de nomes fortes no elenco aumenta ainda mais a credibilidade da empreitada do diretor Ryan Murphy, que adapta muito bem a peça teatral de Larry Kramer, lançada em meados de 1985. Teatralidade que pode ser notada em alguns monólogos mais extensos, mas que mesmo assim não incomodam.

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Por falar em elenco, destaque para o excelente desempenho de Mark Ruffalo, que cria um personagem lutador, duro e exigente, mas que desmorona de vez em quando, mostrando sua tridimensionalidade, principalmente nos confrontos familiares. E na sua família está ninguém menos do que Alfred Molina, em ótima forma. Méritos também para Taylor Kitsch e Julia Roberts, muito competentes em seus papéis, além de Matt Bomer, cuja transformação física e dedicação ao papel é notável. A principal crítica fica com Jim Parsons, o Sheldon, que tem uma atuação rasa e fora do tom.

The Normal Heart pode não servir como o retrato de uma época, nem como uma bandeira ativista, mas é uma obra comovente e muito bonita sobre luta, aceitação e amor. Sem tantos clichês, sem forçação de barra e com uma sutileza e sensibilidade rara em filmes que tratam de relações pessoais. Talvez por conseguir compreender que todos corações batem igualmente, sem distinções.

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