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Sempre que faço um levantamento da minha vida, minhas experiências, vejo que existe pão com ovo demais.

Não possuo um paladar singular, tenho péssimo gosto para roupas e preço é um fator bem importante. Enfim, sou um homem do povo.

Por isso, The Gallerist me pareceu de uma temática bastante estranha, parecia que seus componentes foram feitos para deixar o jogo mais caro.

Mesmo assim, fiquei intrigado com o produto, que é visualmente lindo, pesquisei para ver algumas críticas e comentários. No final, o Vital Lacerda me convenceu e eu comprei pelo pedaço do meu rim no valor de R$ 280,00.

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Vital Lacerda é um game designer português que está ganhando notoriedade jogo após jogo, acerto após acerto. Então pensei que ao menos a revenda seria fácil, caso fosse necessário.

Como o jogo estava em produção, precisei esperar um mês para que começassem a enviá-los. A Fire On Board, empresa responsável por ele no Brasil, enviou em ordem de compra, o que para mim foi desesperador, afinal, fui um dos últimos a comprar e sou de SP, ninguém ensinou pra gente que o mundo não gira à nossa volta.

Em pouco tempo os jogos de outras pessoas no grupo de board games começaram a chegar, alguns deslumbrados com os componentes e pelo tamanho do jogo. Mas junto com a animação vieram as reclamações sobre a qualidade da caixa.

Quando recebi meu jogo, já um pouco tenso, percebi que a caixa é boa, o restante do jogo é excelente e por isso o destaque foi tão grande.

Claro que fiquei extremamente feliz por isso e fui ao que interessa, jogar com a patroa!

O Jogo

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Em The Gallerist, você assume o papel de um administrador em uma galeria de arte. Nesta Galeria você precisa exibir obras de arte, como quadros, esculturas, fotografias ou painéis tecnológicos, descobrir artistas e usar sua influência para deixar eles mais famosos e consequentemente, mais caros.

No jogo temos 4 locais para visitar, sendo que cada um destes locais permite duas ações: comprar obras ou descobrir artistas, conseguir um contrato ou vender obras, mercado ou participar do leilão, divulgar um artista ou contratar um assistente.

E claro que tudo isso tem que ser feito visando ganhar dinheiro, afinal, o galerista mais bem sucedido vence.

A Arte

The Gallerist é muito elegante, sua arte é o suficiente. Passa as informações necessárias e trabalha muito bem com os detalhes. É um trabalho incrível de Ian O’Toole para um jogo de classe, exatamente como sua temática exige.

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Os componentes

Já falei um pouco sobre, mas se fugir da estrutura padrão dos meus textos, possivelmente, minha cabeça de programador explodiria.

A gramatura e impressão do tabuleiro é excelente, com uma qualidade fodida e bem grande, porque sim, tamanho importa.

As obras de arte e outros marcadores de papelão são tão bons quanto o tabuleiro.

As cartas são do tamanho minieuro, e mesmo que poucas, são de uma qualidade realmente incrível.

Os pinos de jogador parecem esculturas e o jogo possui alguns cavaletes para os quadros do leilão, que dão um charme especial ao conjunto. Enfim, os marcadores e componentes de madeira são pequenas obras de arte.

A caixa não é ruim, seu material é tão bom quanto o de qualquer outra caixa, porém, parece que por causa – achismo – de algum atraso, ela foi feita com menos cuidado, ocasionando uma folga, que consequentemente faz a caixa envergar.

A impressão e a tradução do manual ficaram bem legais. Mesmo com a estrutura sendo um pouco confusa, sendo necessário voltar as páginas para tirar as dúvidas que surgirem.

Vale lembrar que todos os componentes do jogo foram produzidos lá fora, tirando a caixa e o manual – a impressão, não criação.

A Jogatina

Como sempre, perdi.

O jogo é considerado denso, não pela quantidade de regras, mas sim pelo seu nível estratégico.

Ele possui poucas ações a serem tomadas, mas precisam ser na hora certa e com responsabilidade, pois neste jogo não se pode tentar fazer tudo, para não acabar fazendo nada.

Enfim, é um jogo super divertido de ritmo rápido, mas muito coeso em suas regras.

The Gallerist para duas pessoas

Ele funciona muito bem para duas pessoas, talvez fique mais fácil, não tive oportunidade de jogar com uma mesa maior. Mas em minhas jogatinas com a patroa, essa variante se mostrou bastante disputada e bem divertida.

 


 

The Gallerist é mais um acerto de Vital Lacerda.

E mesmo que parcela público tenha dado rage na Fire On Board por causa da caixa, a empresa se mostrou capacitada e competente. Cobrou um preço justo pelo porte e velocidade do lançamento em terras tupiniquins. E claro, ganhou um cliente que está louco pelo Euphoria – novo lançamento da empresa.

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  • Anderson Butilheiro

    Ótimo texto, meu caro! Gostei da estrutura da sua narrativa (tenho um pequeno “Q” de programador na veia), hahaha.

    Sobre o jogo em si, comprei ele só depois, quando já estava disponível nas lojas, mas não paguei muito mais do que isso também não. O jogo é lindo, dinâmico, com ótimo balanço de estratégia e sorte (sim, é na sorte que você vê quais visitante vão pra praça central, quais peças de reputação você pegou e etc).

    Minha nota pra ele foi um 9,5 justamente por achar que a caixa é boa sim, mas que a dificuldade do jogo para ser ensinado à outras pessoas é meio grandinha…

    • Taxi Café

      Excelente analise!

      Não havia pensando na aleatoriedade do tabuleiro como ‘sorte’, mas você está certo. Porém, considero na medida perfeita!

      Anderson, muito obrigado pelo comentário =D

  • Paulo Toledo

    Olá Milton, como vai?

    Gostei muito da sua análise e este jogo está no meu radar, só não comprei ele (ainda) por ter optado pelo Euphoria que é M A R A V I L H O S O, nossa, que jogo lindo e gostoso de jogar, todos da minha turma adoraram e a qualidade do jogo, tabuleiro e peças é magnífica, fiquei fã da Fire On Board, tanto que fiz questão de escrever pra eles para parabenizá-los pelo belo trabalho, afinal, cliente geralmente só entra em contato pra reclamar né?

    Mas a pergunta que não quer calar é, afinal, comprou Euphoria? Gostaria de ler seu texto à respeito desse jogo que pra mim já está entre meus favoritos!!!

    Abraços

    • Taxi Café

      Paulo, muito obrigado pelo comentário, sempre fico felizão com eles!

      O texto está pronto e postaremos essa semana! Só não publicamos ainda, pois estamos ensaiando um gameplay junto com a resenha escrita! Mas, garanto que desse semana não passa!

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