Tá no Ar – Um respiro de bom humor na TV aberta

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Na última quinta feira estreou o programa de humor Tá no Ar: A TV na TV, que era encarado por muitos como a última chance de Marcelo Adnet de emplacar algo na sua nova emissora. Agora ele veio com uma liberdade criativa que não é nada comum na Rede Globo, e conseguiu chegar mais perto de sua autenticidade vista na MTV.

 

O formato do novo programa emula o ato de zapear pelas centenas de canais da Tv, tanto aberta quanto fechada, e satiriza os vários tipos de atrações e até de propagandas que se espalham pela programação. Com esquetes bem sacadas fazendo piadas com temas que geralmente nem sequer passariam pelas telinhas do plim plim, como religiões, e até brincando com os seus anunciantes, que sempre são tratados com todo o cuidado.

 

Em um dos quadros recorrentes, ele dá vida a um hater maluco com aparência de guerrilheiro e sotaque nordestino, com postura anti-global e que faz crítica a todo e qualquer comportamento da emissora, como o de não citar as suas “co-irmãs”, coisa que ele faz mas é censurado antes que possa concluir.

 

O bom elenco traz além de Adnet, Marcius Melhem, Danton Mello, Welder Rodrigues, Carol Portes, Luana Martau, Verônica Debom, Renata Gaspar e Georgiana Góes, bem á vontade em seus papéis, e fazem fluir a sensação de zapping.

doutorsus

Entre os formatos que são parodiados estão a atração policial da faixa das 17h, com forte apelo sensacionalista, que dá uma beliscada no “pessoal dos direitos humanos”. Temos também o jornal, que não apoia seu apresentador que tem uma opinião “diferente”, e a sutil imagem ao fundo que mostra a manipulação de noticias.

 

As campanhas de doações que estão ajudando a pagar as multas dos políticos condenados também não escapam, e transformam o Criança Esperança no Fiança Esperança. O seriado médico Dr. House virou o Dr. SUS, que diagnostica todos os seus pacientes com virose, em uma crítica ao descaso da saúde pública.

 

O politicamente incorreto dá o tom em uma das melhores cenas do show, o musical Galinha Preta Pintadinha, que usa a personagem infantil misturada com brincadeiras com farofa e despacho. Outra piada de cunho religioso é feita no número de rap de JC de Nazaré, e seus apóstolos, mostrados como manos.

 

Como eu disse, nem os anunciantes foram poupados, a paródia com os inconfundíveis comerciais da Friboi, que agora virou FreeBofe, a rede de postos Ipiranga virou Margens do Ipiranga, e até a do Ricardo Eletro, que usa a canônica imagem do eterno Cigano Igor.

Institucional

Piadas internas surgem nos créditos finais, quando uma anônima diz que Adnet era bem mais engraçado na MTV, ou que Marcius só funciona na companhia de Leandro Hassum. Até uma personagem evangélica comemorou o fato de só brincarem com “os macumbeiros” e deixaram o Jesus dela em paz.

 

Apesar dos elogios, o programa tem seus defeitos, algumas esquetes duram mais do que o necessário, e outras tem reinserções demais. Mas o programa preenche uma lacuna humorística que existe na TV, abandonando o politicamente correto, mas sem apelar para o mal gosto, ele remete aos saudosos TV Pirata e Casseta e Planeta, e até a animação Frango Robô, sem fazer nada de revolucionário, mas se aproveitando muito bem de linguagens conhecidas.

 

Não dá pra saber se atração sobreviverá por muito tempo, mas é bom ter um respiro de caos e incorreção na emissora mais conservadora do país.

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