Review: Supernatural S12E04 – American Nightmare

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O desgaste de doze temporadas, mais de duzentos e quarenta episódios e uma inevitável falta do que contar, fazem com que Supernatural seja uma das únicas séries que se deem melhor quando deixam a trama principal de lado e apostam em casos da semana. Talvez por que os grandes antagonistas já não botam mais tanto medo, ou por evocar a nostalgia dos primórdios do show, com aquele clima de conto de terror, de lenda urbana, que colocou a série no radar de muita gente mais de dez anos atrás. E é exatamente nesse clima que está o trunfo de American Nightmare, quarto episódio dessa temporada.

Anjos, demônios, Lúcifer e todo o resto estão de fora aqui. É um episódio focado na dinâmica dos Winchester e na forma diferente que ambos encaram a relação com a família. Lembrando muito a situação que eles viveram com John e seu afastamento, lá na primeira temporada. Ao juntar e afastar Mary, o roteiro apresenta um coerente amadurecimento dos irmãos em relação ao tema, já que todos os problemas da série foram causados pela obsessão e co-dependência doentia que as linhagens Campbell-Winchester tem com suas famílias e com o medo/incapacidade de perdê-las. Demorou anos para os protagonistas compreenderem que algumas famílias funcionam melhor quando separadas, e que isso não diminui o amor fraterno entre elas.

Em um mistério aparentemente simples, o caso da semana conversa de forma brutal com essa epifania dos irmãos, mostrando o que parecia ser um caso de espirito vingador ou bruxaria, se transformando numa trama familiar assustadoramente real, enquanto resgata um detalhe há muito tempo deixado de lado: as crianças paranormais de Azazel, o demônio dos olhos amarelos. Numa dinâmica a lá Carrie, a estranha, temos uma história que mescla os perigos do fanatismo religioso com a vida de uma garota com poderes psíquicos, Magda (Paloma Kwiatkowski), vitima da insanidade de seus familiares, que acreditam que ela tenha parte com o capiroto.

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É uma trama corriqueira, mas que traça dois paralelos com o momento atual de Supernatural, sendo que o primeiro é o dessa noção de que algumas famílias não devem ficar juntas, e o segundo é o de que ás vezes os monstros são as próprias pessoas. Esse segundo ponto é importante por que até o momento não foi introduzido uma grande ameaça para a temporada, deixando a impressão de que os Homens das Letras britânicos serão os antagonistas da vez, e será a primeira vez que a ameaça não será de ordem “paranormal”. É uma mudança necessária, já que nenhum inimigo sobrenatural ou metafisico conseguiu derrotar os Winchester.

Referenciando os primeiros passos da série, mesclando a química do elenco, as piadas e referências (Padres DeNiro e Penn, em alusão ao filme Não Somos Anjos), e uma história interessante e bem conduzida, Supernatural entrega o melhor episódio de sua nova temporada.

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