“Do it yourself” ou “Faça você mesmo”, lema original do movimento punk, pautado pela rebeldia, subversão e até algumas boas doses de delinquência. Lema que os integrantes do The Ain’t Rights vão conhecer da maneira mais brutal possível. Os jovens que fazem parte da banda de punk rock até ostentam o estilo, mas é só a capa que esconde uma rebeldia de mentirinha, típica de jovens chafurdados na normalidade e no status quo.

Como último ato de uma mal sucedida turnê, a banda vai tocar em um misterioso bar nos confins do Oregon, reduto de skinheads e neo-nazistas. O ambiente desconfortável e de clima tenso é quebrado pelo som da banda e tudo parecia correr bem, até o momento de ir embora. Instantes antes de deixar o local, os jovens acabam presenciando um assassinato. Trancados na sua espécie de camarim, o grupo de amigos vira o principal alvo de um grupo violento que não pretende deixar testemunhas.

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Green Room é o segundo acerto do cineasta independente Jeremy Saulnier. É um pouco mais polido do que Blue Ruin, mas mantém o clima sujo, escuro e brutal de seu primeiro filme. Traz nuances de horror e suspense em um típico filme de confinamento e sobrevivência. Seu diferencial está em seus personagens, não são super inteligentes e sagazes, mas também não são burros como a maioria dos protagonistas de filmes de terror atuais. Eles dançam conforme a música, lidam com o desespero da situação de forma crua e realista e reagem de maneira coerente, tanto para o bem quanto para o mal.

Os antagonistas também apresentam um contraponto interessante, pois não são simples vilões unidimensionais, ou caipiras psicopatas. Eles têm sua motivação, seu método e seu “embasamento ideológico” (é desprezível, mas existe). Essa organização é refletida na figura de Darcy, o líder dos neo-nazis, vivido pelo sempre competente Patrick Stewart. Uma figura assustadoramente sóbria, com ecos de um Walter White – Heisenberg, pra ser mais preciso.

O ponto forte de Green Room está na tensão criada, uma espécie de confronto entre a frieza organizada e o caos desesperado, que gera explosões de violência em situações construídas para deixar o espectador na ponta da poltrona. É um dos bons suspenses desse ano, tenso, brutal, violento e catártico. Um filme que vale a pena. Infelizmente é uma das últimas atuações de Anton Yelchin, ator falecido recentemente e que ainda tinha muito a oferecer.

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Avaliação.
Bom

Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

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