Quando Gostar de Um Filme é Questão de Tempo

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Quem nunca teve a experiência de começar a ver um filme e ter a clara impressão de que não vai gostar? E no caso de estar vendo no cinema, ter aquela vontade de sair da sessão?

Algumas vezes o caso é reflexo do humor de quem assiste. Quem está de cabeça quente com algum problema ou inquieto por alguma ansiedade algumas vezes não consegue mergulhar no universo que o entretenimento oferece.

Sendo assim, é prazeroso encontrar algo que pode até te causar a primeira reação, mas consegue sorrateiramente provocar uma ponta de esperança pra que um pouco mais de esforço seja feito. Assim, temos Questão de Tempo (About Time).

Um filme que começa modestamente. Sem exageros, mas também, sem muito no que se apoiar. A primeira impressão é a de uma comédia romântica com foco no público adolescente à procura de uma história rasa e sem muito compromisso. E ao mesmo tempo que um pouco dessa premissa se mantém, a de um filme leve, outra se constroi, e tenta criar uma mitologia própria que busca a simplicidade e ao mesmo tempo tenta manter-se plausível para fãs de ficção científica que venham a ser interlocutores da história.

E com o momento de entrada na história principal com a revelação do que torna o personagem principal especial, vem a surpresa mais agradável do longa: Bill Nighy.

bill nighy

Não que seja um ator desconhecido ou ruim. Nighy já teve atuações memoráveis em Simplesmente Amor (Love Actually), apareceu mostrando sua qualidade em Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1) como Ministro da Mágia Rufus Scrimgeour e mais atualmente no amável O Exótico Hotel Marigold (The Best Exotic Marigold Hotel), mas a surpresa de vê-lo interpretando um pai tão utópico é um dos detalhes que tornaram esse filme, no mínimo, interessante. O Pai é quem acompanha o personagem de Domhnall Gleeson e ajuda-o a construir a mitologia do filme, mostrando-se alguém admiravelmente carinhoso e atencioso, além de inteligente e atual. A construção da figura é tão ideal que ele é simplesmente “Pai”, sem a necessidade de ter um nome de personagem, como o que acontece com a “Mãe”, da também ótima Lindsay Duncan.

Para a musa de todas as possibilidades, Rachel McAdams. Dona de um sorriso único, a atriz consegue traduzir para a tela a justificativa do porquê Mary pode facilmente ser o sonho de qualquer homem que espere encontrar algo tão único na vida como busca Tim, de Gleeson. Com uma beleza singela, e ainda assim capaz de uma sensualidade implícita como pouco visto no cinema atualmente, McAdams entrega muito mais do que expressões de paixão ou olhares perdidos como a maioria dos romances contemporâneos oferecem em seus destaques femininos. Uma atriz que parece gostar de uma temática ligada ao tempo, já que também protagoniza o agradável Te Amarei para Sempre (Time Traveler’s Wife).

About Time

Richard Curtis dirige e assina uma obra de pretensão objetiva: ser um filme belo. A fotografia é de se admirar e a direção de arte acerta muito ao retratar uma casa familiar detalhadamente aconchegante, ou um apartamento bagunçado e pequeno onde jovens adultos sonham em construir uma vida juntos.

Mesmo com alguns furos de lógica da mitologia do filme, uma magia maior nasce pra quem, como eu, prefere considerar o longa como um todo bem maior do que os cortes necessários para fazê-lo possível. Passa uma mensagem interessante, que mostra-se presente na cabeça de quem assiste interessado ao mesmo tempo que evolui na história, e é apresentada, claramente, quando chega a conclusão.

Sobre tempo, relacionamentos, possibilidades e aproveitamento de nossas vidas, Questão de Tempo é um filme que pode ser muito apreciado com alguém de quem se gosta ao lado, para absorver lições claras, e mesmo assim, valiosas.

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