Primeiras Impressões: Stalker – Qual é o seu filme de terror favorito?

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Se tem uma habilidade que Kevin Williamson desenvolveu em sua extensa carreira como roteirista e showrunner, foi o de agradar as massas. Ele ressuscitou os slasher movies criando o carismático Ghostface, nos meados dos anos 90, e depois se aproveitou de seu sucesso para emplacar Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, fenômenos de popularidade. Quando deu as caras na telinha, comandou nada menos do que um dos dramas adolescentes de maior sucesso da TV americana, Dawson’s Creek. Anos depois voltou a trabalhar com esse público, adicionando um tema forte da época e ainda colhe os frutos por The Vampire Diaries. Sem falar em The Following, que apesar das derrapadas, caminha firme para a 3ª temporada.

 

Em Stalker, sua mais nova empreitada, ele vai mais fundo nessa “obsessão” de cativar o público por longos períodos, usando o artificio mais comum que as emissoras tem para ganhar audiência: um procedural de investigação. A série acompanha a Detetive Beth Davis (Maggie Q), líder da Unidade de Avaliação de Ameaças, que investiga casos de perseguição (o famoso stalking). Ela tem que lidar com o recém chegado Agente Jake Larsen (Dylan McDermott), transferido de Nova York porque pegou a mulher do chefe. Semanalmente eles terão que lidar com esses casos, que segundo o que a própria detetive disse, assolam mais de 6 milhões de cidadãos americanos por ano, enquanto fingem se suportar e tentam controlar a tensão sexual que ocasionalmente surgirá entre eles. Sem falar que ambos tem um passado bem conturbado no que se diz respeito a perseguições, seja como vítima, ou como praticante da arte de stalkear.

 

No meio do escritório dessa divisão temos mais dois agentes genéricos, do tipo que são vistos em todos os CSI da vida, e que servirão como mais um alivio cômico. Digo “mais um”, porque o próprio agente Larsen é do tipo engraçaralho, além de falastrão e galanteador, tudo isso na pele de Dylan McDermott, mais canastrão do que nunca. A personagem de Maggie Q também é parecida com outras dezenas que tem por aí, uma detetive perturbada pelas lembranças, e que passou a colocar o trabalho a frente de qualquer coisa, tornando-se quase que obsessiva.

Pilot

Se esse episódio piloto teve algo de aproveitável, com certeza foi a cena de abertura. Tensa e construída de maneira muito interessante, com um misterioso assassino mascarado queimando sua vítima viva. Lembrou bastante os saudosos tempos da saga Pânico e de nosso querido Ghostface, por isso a frase do título. Depois dessa cena o episódio segue ladeira abaixo, com uma avalanche de clichês, desde a apresentação dos suspeitos, até o agente novato mostrando suas habilidades especiais, passando pelo interrogatório totalmente previsível e culminando com a prisão do meliante bem na hora em que ele faria uma nova vítima. Desculpe pelo spoiler, mas isso fica claro desde o primeiro ato do episódio.

 

Não há muito mais o que dizer sobre Stalker, a não ser resumir sua essência como previsível e simplista, mas que tem tudo pra ser um sucesso de audiência, vide o desempenho de séries exatamente iguais a essa. O que talvez sirva como bônus para Stalker, e que talvez ajude em sua audiência, é o fato do tema ser interessante, instigante e atemporal, afinal qualquer um pode ser um perseguidor, e qualquer um pode ser uma vítima.

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