Primeiras Impressões: O retorno de Arquivo X

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9 temporadas, 202 episódios, 2 filmes e o legado de ser um dos shows mais cultuados e influentes de todos os tempos. Essa é mais ou menos a dimensão da série Arquivo X, que retornou essa semana para mais uma leva de episódios inéditos, ainda sob a baqueta de seu criador, Chris Carter, e novamente com suas maiores estrelas, David Duchovny e Gillian Anderson na pele dos agentes Fox Mulder e Dana Scully, agora com um orçamento maior e produção digna de cinema.

E esse retorno não poderia ser mais significativo, se atualizando, amadurecendo, mas sem se esquecer de sua essência, essência que foi concebida não só em outra década, mas em outra era criativa da televisão. Chris Carter transformou uma série procedural de mistério em um dos maiores fenômenos da cultura pop, pavimentando a estrada que foi e ainda é utilizada por dezenas de séries. Supernatural, Bones, CSI, American Horror Story e até mesmo Breaking Bad devem muito ás inquietantes aventuras vividas por Mulder e Scully.

Essa décima temporada começou trabalhando uma das antigas especialidades do show, a paranoia com uma conspiração maior do que todos nós, a diferença é que a verdade não parece mais estar lá fora e sim ao nosso redor. Scullly, fora do FBI e agora atuando como médica no Hospital Our Lady of Sorrows, é contatada por Tad O’Malley (Joel McHale), um apresentador sensacionalista de extrema direita que afirma ter informações sobre uma conspiração maior do que qualquer outra com que os ex-agentes possam ter lidado. Logo o experiente, surrado e hoje separado casal, une-se novamente para ajudar a desvendar esse mistério.

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O roteiro desse primeiro episódio mexeu com a mitologia da série de forma bastante peculiar, com cenas de flashbacks manipuladores, informações desencontradas e uma sensação de que o que está sendo mostrado não condiz totalmente com a realidade. É o jeito que a história encontrou para se manter cativante, construindo com a competência de seus grandes dias o senso de descoberta que sustentou o show por anos. O ritmo desse episódio de retorno foi um pouco lento, se comparado ao dinamismo típico de Arquivo X. Preocupado em assentar a nova fase de seus protagonistas, tanto na relação entre eles quanto em sua relação com o mundo, o foco foi trazer a série e dizer para o espectador: estamos no século XXI, muito tempo se passou e muita coisa mudou.

O segundo episódio dessa reestreia dupla surpreendeu por vários motivos, além de ser mais acelerado do que o primeiro, ele reeditou o status dos protagonistas, colocando-os em um dos habituais casos da semana, marca registrada do show. O curioso é que com apenas seis episódios confirmados para a nova temporada, ninguém esperava uma história avulsa, mesmo fazendo parte da identidade da série, todos estavam preparados para um arco bem fechado. Foi nesse episódio que tivemos vislumbres da relação de Mulder e Scully com o filho que tiveram, cujo desfecho faz parte dos segredos da trama.

Arquivo X retorna com surpresas, mas mantendo sua identidade e sua aura tão conectada aos anos 90, de forma que acompanhar novamente a série é um exercício de nostalgia dos mais gratificantes. Alguns problemas são sentidos, a suspensão de descrença é exigida em níveis máximos, a dupla de atores ainda não se reconectou totalmente aos personagens e o modus operandi do show não condiz com a atual fase da produção televisiva. Mas nós temos o desconhecido, o grotesco, o intenso e aquela trilha sonora que arrepia qualquer um, que nos deixa com a pulga atrás da orelha ao apagar as luzes e que nos transporta para um clima de ficção cientifica noir. A maior série procedural de todos os tempos está novamente lá fora e se fará jus ao seu enorme legado eu não sei, mas hoje mais do que nunca, eu quero acreditar.

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