Primeiras Impressões: The Man in the High Castle

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Eu gosto muito de histórias que partem do “e se…”, daquelas que alteram um pequeno detalhe histórico e abordam as consequências dessa mudança no mundo. O exemplo mais claro que me vem na lembrança agora é a HQ “Superman: Entre a Foice e o Martelo”, que mostra o escoteiro caindo na Rússia ao invés dos EUA e os reflexos disso no planeta. É partindo de um ponto parecido que Philip K. Dick (do qual eu já falei aqui) escreveu e publicou em 1962 o livro ‘The Man in the High Castle’, romance distópico que se passa 15 anos após as Forças do Eixo vencerem os Aliados na Segunda Guerra Mundial. O que antes era os EUA agora é um território que foi dividido entre a Alemanha Nazista (Costa Leste) e o Império Japonês (Costa Oeste).

 

O livro é considerado um dos melhores de Philip K. Dick e agora pode ganhar uma adaptação em forma de série. ‘The Man in The High Castle’ está nessa temporada de pilotos da Amazon (que vem ganhando cada vez mais espaço com suas produções originais) para aprovação dos espectadores e foi disponibilizado há alguns dias. Tomara que ela ganhe uma temporada completa, pois o piloto é muito bom.

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O piloto se passa nesse “EUA” divido entre japoneses e alemães e acompanha o jovem Joe Blake (Luke Kleitank), que se alia ao pequeno grupo da resistência em Nova York e ganha a incumbência de levar um carregamento para Canon City, no Colorado, no meio da chamada Zona Neutra. Paralelamente também vemos Juliana Crain (Alexa Davalos), uma jovem que mora na parte asiática do país e que ao ver sua irmã morta por agentes do governo, assume sua identidade e também a missão de levar um misterioso filme para a mesma Canon City.

 

Em meio a essas duas jornadas vemos um pouco da situação política no mundo, descobrimos que Adolf Hitler está muito doente e que sua morte iminente pode perturbar a relação de calmaria que existe entre japoneses e alemães. Isso porque os candidatos a sucessores, Goebbels e Himmler, não aceitam bem a ideia da divisão da América e podem tentar começar uma nova guerra.

 

Também é interessante vermos as diferenças dessas duas partes da América, isso fica claro na ambientação e nas políticas com os moradores do local. A Nova York é densa e o tratamento dos nazistas com os moradores é violento e assustador, tudo muito escuro e vazio. Já na São Francisco que está sob o domínio japonês, temos uma maior interação entre asiáticos e americanos, e apesar da dominação totalitária existir tudo soa como se estivesse mais ‘tranquilo’, com muita gente na rua, comércio e movimentação típico das metrópoles asiáticas.

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O elenco não traz nenhuma grande atuação, mas todos desempenham muito bem seus papéis. A produção é muito boa para um piloto feito com orçamento reduzido, a fotografia tem um clima noir fortíssimo e a ambientação e reconstrução de época convencem bastante. É claro que em alguns momentos fica clara a “falta de recursos”, mas nada que prejudique o resultado final.

 

Enfim, tomara que “The Man in The High Castle” seja aprovada pela Amazon e ganhe uma temporada completa, pois o show é muito promissor. Seu piloto traz uma boa dose de trama política, espionagem e conspirações, detalhes que se bem trabalhados podem render temporadas interessantíssimas.

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