Sabe aquele clássico infantil a que assistimos durante nossa infância? Bem, estou na missão de ler os livros.

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Após ler “A história sem fim“, percebi que, por boa parte da minha vida, perdi literatura de qualidade por causa dos filmes – que amo – da Disney.

O livro desta vez foi o Peter Pan de J.M. Barrie publicado com uma qualidade incrível pela Zahar. E como ele me surpreendeu por diversos aspectos, acho melhor organizar minhas idéias por partes.

De outros tempos

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Inicialmente levei o choque de época, afinal a primeira versão de Peter Pan foi publicada em 1911 e desde o princípio, é fácil perceber o contraste nos costumes/cultura.

Logo de cara conhecemos o Sr. Darling e a Sra. Darling, pai e a mãe de Wendy, João e Miguel.

O pai se importa muito com o que os outros pensam e a mãe é responsável pela ordem da casa, mesmo que possuam uma moça para cozinha e uma babá, uma cadelinha chamada Naná – um doce.

Wendy é criada conforme o costume da época, preparada para se tornar uma boa esposa. Mesmo com poucos anos de vida, já possui seu próprio Kit de Costura; é basicamente uma Sra. Darling em miniatura.

Fantasia e realidade muito bem entrosada

Talvez por causa do contraste de um século desde a criação da obra, em várias situações fiquei me questionando se tal ato era costume ou se fazia parte da fantasia. Um exemplo disto é ter uma babá de cachorro e ser estranhamente normal.

Ok, sei que parece bobeira, mas isso é tratado com tanta naturalidade no livro que cheguei a me questionar.

O herói, a Sininho e a Terra do nunca

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Depois de uma semana que terminei de ler, ainda não consigo “personificar” o Peter Pan. Não posso falar que ele é um menino, também não posso enquadrá-lo como espírito zombeteiro, no máximo, um sonho – o que abre um imenso leque de opções. Então vamos assumir que Pan é só o Pan, com todas as características de uma criança ao extremo.

Peter Pan é estranho. A memória dele é curtíssima, muitas vezes colocando os amigos em perigo. Ele gosta de violência, sangue e do êxtase da batalha, não demonstrando piedade nem mesmo com amigos. É extremamente arrogante e meio “louco”, confundindo realidade com faz-de-conta.

Mas mesmo Peter com seus problemas, ele não chega aos pés da Sininho. Dizem que fadas alternam entre ser inteiramente boas ou ruins, afinal são pequenas demais para as duas coisas coexistirem. No caso de Sininho, faltou mostrarem a parte boa dela.

E a terra do nunca é aterrorizante, você nunca é bem vindo lá, os habitantes são agressivos (animais, pessoas, seres mágicos e qualquer coisa viva), a noite é inóspita. Simplesmente, um péssimo lugar para se morar.

Todos queriam sangue, com exceção dos meninos perdidos, que normalmente gostavam de sangue, mas nessa noite queriam apenas cumprimentar seu capitão.

Vamos dizer que é uma tríade bem difícil de aturar.

Um clássico centenário moderninho

Peter Pan já possui mais de século, tendo sua primeira versão lançada em 1911 e seu primeiro esboço publicado em 1901. Mas, sua escrita é bem atual, quebrando até a quarta parede para tirar uma onda do leitor.

O narrador se dirige diretamente ao leitor, quando, por exemplo, nos convida a conhecer os habitantes da ilha:

Nessa época havia seis deles, com os Gêmeos valendo por dois. Vamos fingir que estamos deitados no meio desse canavial e vamos observá-los se esgueirando em fila indiana, cada um com a mão sobre sua adaga.

Ou até mesmo “escolher” qual história queremos saber.

Qual dessas aventuras a gente vai escolher? O melhor jeito é tirar cara ou coroa.

Já tirei, e a aventura da lagoa ganhou. Isso quase me faz desejar que a aventura da ravina, do bolo ou de Sininho houvesse ganhado. É claro que eu poderia jogar a moeda de novo e fazer melhor de três; mas acho que é mais justo ficar com a da lagoa mesmo.

Além disso, o livro é bem leve, não é cansativo e remete MUITO a nossa infância, até imaginando a VOZinha da Wendy.

Digo leve, pois levei só três ou quatro dias de metrô de SP.

Escrito por um pai

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Uma das coisas mais engraçadas deste livro é me identificar com o narrador. Geralmente isso acontece com algum personagem, nunca com o narrador.

O narrador compartilha conosco sua insatisfação e até vontade de castigar as crianças por terem fugido de casa.

Como pai, eu entendo isso. Desde o início, a preocupação e carinho são evidentes, mas isso não tira o erro da molecada – e nem a vontade do pai em lhes dar uns tapas e um bom castigo.

Mais fundo

Sempre que lembro da animação, lembro da história leve, divertida e bem infantil. E de fato, Peter Pan é um livro infantil, contado por um adulto. Digo, pois é possível imaginar um adulto contando a história para crianças antes de dormir.

Depois de 20 anos que assisti à animação, tenho uma visão real da fodástica obra, porque ela nos apresenta de verdade a Terra do Nunca e seus habitantes, de um jeito que eu nunca teria imaginado durante os filmes.


Como disse, eu adoro os filmes clássicos de nossa infância e é por isso que quero conhecer as obras que os originaram. Peter Pan certamente valeu a pena e não me decepcionou!

E aí, já leram o livro Peter Pan? Qual foi a experiência de vocês? Qualquer dúvida, sugestão e crítica são totalmente bem vindas.

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Milton Salles

Ai, que delicia, cara...

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