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Creio que não há nada pior que possa ocorrer a um pai do que a perda de seu filho, o franco-canadense Denis Villeneuve consegue nos passar as mais variadas reações das pessoas ao sofrerem com esse terrível baque. Com uma história simples e até certo ponto, batida, mas com uma excelente direção e atuações sensacionais, Os Suspeitos se mostra o melhor suspense de 2013.

A trama escrita por Aaron Guzikowski acompanha duas famílias, os Dover e os Birch, que tem o seu jantar de Ação de Graças interrompido pelo misterioso desaparecimento das garotinhas Anna Dover (Erin Gerasimovich) e Joy Birch (Kyla Drew Simmons). A policia local designa o detetive Loki (Jake Gyllenhaal) para cuidar do caso e interrogar o principal suspeito, Alex Jones (Paul Dano), motorista de um trailer que estava estacionado em frente a casa das famílias. A soltura do principal suspeito por ausência de provas, e o aparente descaso da policia faz com que o Keller Dover (Hugh Jackman) saia em uma busca violenta e desesperada por justiça.

Posso afirmar que um bom suspense não é feito apenas com uma boa trama, o clima ou atmosfera tem que ser muito bem construída para que o trabalho fique completo. E seguindo essa dica preciosa que foi dada em filmes como Zodíaco e Seven, é que Villeneuve nos faz sentir o frio da pequena cidade no noroeste dos EUA na pele, envoltos pela desconfortável e desesperadora situação vivida pelos pais das crianças. É claro, com a substancial colaboração da excelente fotografia e da direção de arte.

Dennis nos entrega um suspense honesto, sem muita inovação, mas sem apelar para as subidas de volume e os sustinhos gratuitos, nem para as pistas falsas jogadas pelo caminho. As reviravoltas da trama caem muito bem, e apesar de as vezes soarem meio absurdas, percebe-se que são totalmente factíveis no mundo em que vivemos hoje, principalmente em se tratando de motivações religiosas. Religião que é abordada de maneira sútil, em paralelo com o caráter e as dubiedades de cada pessoa.

Escutei algumas reclamações de que fortes suspeitas que são levantadas acabam o filme sem serem esclarecidas, mas não é verdade, assista novamente com um pouco mais de atenção. Não vou explicar aqui, mas fiquem atentos aos desfechos das tramas do Padre, e das pessoas que desapareceram há alguns anos, vão notar que houve um cuidado muito bacana em amarrar todas as pontas.

Mas o carro chefe do filme, sem dúvida, são os personagens/atores, com destaque a Jackman e Gyllenhaal que conseguem ser distintos em quase tudo, mas igualmente instigantes. Jackman é um pai cristão, que ao se ver impotente frente a situação acaba surtando e colocando em xeque a sua moralidade. A atuação explosiva, a lá Wolverine, nos passa fielmente a dor da perda e o torna ao mesmo tempo assustador e assustado. Já Gyllenhaal, é um detetive cujo os tiques nervosos e a apatia inicial chegam a desanimar, mas que no decorrer da história, ao apresentar os seus dilemas internos e a obsessão pelo recente caso, se torna um personagem extremamente interessante.

Os coadjuvantes Terrence Howard, Viola Davis, Maria Bello, Paul Dano e Melissa Leo, conseguem com pouco tempo de tela apresentar seus personagens, e as diversas maneiras que eles tem de encarar aquela situação, não deixando em nada a desejar frente aos protagonistas. É uma pena (e bem estranho) que Os Suspeitos não tenha beliscado nenhuma indicação ao Globo de Ouro, mas aguardemos o Oscar. Enfim, não se assuste com as 2h30min de duração do filme e nem com o péssimo título em português, se você tem algum apreço por longas como Seven, O Silêncio dos Inocentes e Zodíaco, saiba que vai ganhar mais um pra sua coleção, e eu não vou te julgar se você preferir chamá-lo de Prisoners.

 

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