Deus sabe que não sou um aqueles pregadores de que o filme original é sempre melhor que o remake. Para ser sincero, sou exatamente o oposto, sempre “puxo sardinha” para os remakes, afinal é preciso de muita coragem para refazer um filme que possua fãs – que geralmente são chatos. Por isso, um remake tem dois pontinhos na escala do meu gosto.
O novo Old Boy e Spike Lee contaram com todo meu otimismo. Não fui esperando uma obra prima – como o original – mas também não posso dizer que expectativa estava baixa, afinal, contamos com um elenco super competente.
Nele temos Josh Brolin como Joseph “Joe” Doucett, nosso personagem principal na trama (o antigo Oh Dae-su). Contamos também com o Sharlto Copleyaquele do Distrito 9 – como Adrian Pryce – o vilão e antigo Lee Woo-jin. Como dono do cativeiro – e antigo Park Cheol-woong – temos Samuel L. Jackson e, para minha surpresa, temos Elizabeth Olsen – a caçula das irmãs Olsen – como Marie Sebastian – antiga Mi-do.
No começo, tentei evitar comparações entre as obras, mas desisti da idéia, porque em alguns momentos é simplesmente impossível. Por exemplo, a cena do martelo do Old Boy (2003) é um dos melhores pôsteres que se pode ter e por que não comparar?

polvo

O filme tem agradáveis presentes, Lee não fez um remake seguindo cena-a-cena, ele não copiou em carbono o filme antigo, ele interpretou novamente e entregou coisas boas, como um polvo em um aquário – yeah, ou as asinhas de anjo na vendedora de rua – hellyeah!
Joe Doucett é introduzido como uma pessoa totalmente desprezível, poderíamos tentar amenizar o julgamento em cima dele dizendo que a bebida corrói o caráter, mas nesse caso, isso é apenas uma desculpa. Pois, quando Joe é mostrado jovem, ele já demonstra traços de um babaca.
Logo após a apresentação de Joe, já temos o sequestro, que acontece de forma bem montada. A cena em que Joe se dá conta de sua nova situação é fluida e fácil de ser creditada. Porém sua sequência requer boa vontade para relevar “pequenas” falhas. Mesmo assim, não tirarei os créditos da versão de Spike Lee, que mostra o cativeiro bem mais cruel – tanto que ao lembrar ainda fico triste.
O arco seguinte é sua soltura. Aqui Joe foi solto sem mais nem menos, simplesmente acorda em uma maleta Louis Vitton com um iphone o filme não evita mostrar marcas famosas – e um envelope cheio de dinheiro. Não muito longe, ele vê uma mulher com o mesmo guarda-chuva de quando ele foi aprisionado. E por consequência disso conhece a Marie, uma voluntária da cruz vermelha que o ajudará nessa busca.
Enquanto nós podíamos assistir ao filme de 2003 comendo alguma coisa, não podemos fazer isso vendo o de Spike Lee. Em sua primeira versão, nós tínhamos cenas bem agoniantes, mas não era mostrado de fato quando se é arrancado uma língua ou alguns dentes. Já Lee mostra com carinho e detalhes demasiados. Assumo que fechei os olhos de agonia em algumas cenas, às vezes, requintadamente cruéis, outras, apenas sádicas e nojentas.

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Não passarei por cada trecho do filme, mas a – clássica – cena do martelo tem que ser comentada. Apesar de vermos muito mais sangue nessa versão, ela não é nem de longe tão impactante quanto na versão original. O que deixava essa cena tão bacaninha era sua aproximação com a realidade; por ter se passado em um corredor fechado, nos dando aquela sensação claustrofóbica, onde todos os “vilões” pareciam realmente estar lá para fazer estragos e como se o Dae-su pudesse ser qualquer pessoa – sem habilidade – batendo com um martelo em qualquer coisa que se mova.
Já nessa nova versão, a cena que deveria ser de luta, mais parece uma dança. Cada movimento, cada golpe, cada esquiva, tudo parece ser parte de uma grande coreografia. Some essa dancinha a cortes bruscos, mudanças de cena rápidas demais, e até um errinho bem chato na continuidade, e teremos uma cena insossa, longe de causar a falta de ar que sentimos em 2003.
Acredito que esses defeitos são devido a edição final, que diminuiu o filme de Spike Lee de 140 minutos para 105 minutos.
Não vou falar do desfecho do filme para não estragar a surpresa, mas senti falta dos 35 minutos que foram retirados do filme. Na versão coreana, a gente quase “entende” o vilão, mesmo que não, a gente se acostuma com seu rosto. Nesse filme, a gente não chega a se acostumar com o incrível Sharlto Copley. Todo o desfecho passa tão rápido que quase não entendemos as consequências finais. Mas saibam que há consideráveis diferenças nesse desfecho.
Sei que levantei muitos pontos negativos, e vocês não podem imaginar o quanto eu queria que fosse diferente. Mas, Old Boy de Spike Lee sofreu com polêmicas e descrenças dos produtores, que tiraram a famosa “marca Spike Lee” e transformaram em só mais um filme. Contudo, isso não faz com que o filme não deva ser assistido. O filme merece sim ser assistido, mesmo que não seja o sucessor no livro dos clássicos.

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