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Sabe quando você dedica um dia para assistir a filmes ruins ? Pois é, hoje foi um dia desses.

Navegando pelo acervo da Netflix, me deparo com esse título, e a sinopse – pobre e insuficiente –  “homem confessa ter matado seis pessoas, mas elas na verdade estão vivas.”. Como eu disse,  hoje eu estava disposta para os filmes ruins e resolvi encarar. A produção conta com ilustres desconhecidos e com Val Kilmer, que pode ser um nome no cinema, mas é um nome sujo. Convenhamos, ele fez o pior Batman, entre outros fracassos.

No filme, o  ex-galã faz o papel de um estranho, que, na véspera de Natal, chega numa delegacia para confessar seis assassinatos. Se apresentando como Sr. Ninguém, ele  faz o estilo esquisitão charmoso, com belos cabelos longos e roupa toda preta, rosto sem expressão.  Os policiais, todos babacas e com cara de serviços burocráticos, não sabem muito bem o que fazer e o jogam numa cela, depois de realizar os procedimentos padrão. E aí, os mistérios começam a aparecer.

Primeiro, o sujeito não tem impressões digitais, sua imagem não aparece na fotografia, e ele parece mudar de cela toda vez. Sem explicação. Ninguém percebe isso muito bem, até que ele começa a fazer as tais confissões.

E aqui começam os SPOILERS. 

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Conforme Sr. Ninguém vai confessando cada morte, narrando em detalhes, elas acontecem em tempo real, com os policiais. Por quê?

Há um ano, todos os seis policiais que estão de plantão hoje espancaram um vagabundo, acreditando que ele teria informações sobre a filha do delegado, que estava desaparecida.  O pobre é torturado, enquanto alega  inocência desesperadamente, até ficar em coma.

Daqui, acho que vocês já puderam deduzir o enredo né? O tal mendigo morreu naquele dia e veio à delegacia se vingar dos policiais que o torturaram injustamente.

E digo que se pensaram isso, vocês quase acertaram, menos no “injustamente”. E aqui devo confessar que fui de fato, surpreendida, após um filme todo de ações previsíveis.
O “espírito coisa ruim do tinhoso” confessa que foi ele sim que matou a filhinha do delegado, e que mesmo assim, ele se vingará de todos que o torturaram naquele dia, porque ele é “old school” e segue a filosofia do “olho por olho”. O delegado, único sobrevivente agora, se recusa ouvir a confissão da última morte (a dele). Ele sai correndo, fura os próprios ouvidos e se esconde embaixo da mesa – corajoso!  – onde encontra, pasmem, o espírito da filhinha, que, apesar de estar assustada, o ajuda a destruir o espírito mau e vingativo de Sr. Ninguém.

Destaque para as cenas de cada morte, sempre muito violentas – ou assim tentando parecer. Não importa se  a vítima está morrendo sufocada num saco plástico, ou enforcada, vísceras sempre vão aparecer sendo arremessadas contra a parede junto com muito sangue. E é bem ruim quanto parece, como se eles tivessem comprado fígado no mercado e jogassem na parede junto com Qui-Suco de morango rsrs.

Se vale a pena assistir? Bom… Depende do seu estado de espírito. Se estiver calor demais pra ver Almodóvar, ou sua única opção for o Faustão eu digo que sim, vale a pena assistir. Prende sua atenção, finge criar um clima de suspense e… só isso.

E aqui fica a pergunta: O que aconteceu com você, Val Kilmer?!?!

Val_kilmer

 

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  • Cliver Machado

    Adorei o “ele é old school”.

  • Cliver Machado

    Putz, faltou só falar do assovio que invoca a morte.

  • Donata Barros

    adorei sua sinopse sobre o filme. Eu e minha filha morrendo de rir das babaquices do filme. Nós duas comentando nunca termos assistido um filme tão surreal no pior sentido. Corro prá internet prá ler algo sobre o filme. e eis que vc descreve exatamente o que sentimos! rssssss Foi o pastelão mais idiota que assisti! Vc tem toda razão! Obrigada pelo divertido e inteligente comentário, vc é dez!