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Naruto é uma série japonesa de mangá e anime criada no final da década de 90 por Masashi Kishimoto que está entre os 10 animes mais assistidos do mundo. A história nos conta a história de um ninja, Naruto, que passa por diversas provações ao longo da vida para se tornar o ninja mais forte de sua aldeia.

Se a série tratasse apenas do clichê de superação que já vimos em diversas outras sagas (Dragon Ball, Bleach, Digimon etc.), ainda poderia estar entre as mais vistas, mas não teria o caráter pedagógico capaz de influenciar desde os mais novos até os mais adultos. E é disso que gostaria de tratar.

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A série passou por duas fases. Na primeira, a clássica, Naruto ainda era criança e agia como tal. O anime tinha o intuito de entreter aos mais novos, então ele era um personagem completamente desastrado e, de certa maneira, isso cativou o público mais jovem. Mesmo quando a série foi dublada para o português, anos depois, as crianças ainda se encantavam com “o estilo ninja” do protagonista. A segunda fase, na adolescência, Naruto é um personagem mais maduro e fica claro que ele cresceu junto com os espectadores da série. E isso acontece constantemente, a cada temporada, cada ciclo do show, Naruto demonstra um amadurecimento que inspira aqueles que o acompanham desde seu lançamento.

Como o intuito não é tratar do enredo em si, vou focar nos pontos que possuem valores fora do casulo do entretenimento. O sistema político tem traços da tirania na Grécia Antiga, do totalitarismo e até do comunismo, mas possui uma sutil diferença que não o enquadra em nenhum sistema conhecido. O líder da aldeia é respeitado e aclamado pelo povo, embora seja soberano em tomar decisões e, por vezes, use da força militar para controlar situações. Por isso, Naruto sonha em ser o líder da aldeia, para ser respeitado e ter uma boa relação com todos, algo que nunca teve desde sua infância.

Durante a série, o tempo todo somos obrigados a dividir o fardo das perdas que Naruto sofre ao longo da história: seus pais, seu melhor amigo, seu mestre. No entanto, aprendemos a lidar com essas perdas de uma maneira que transcende a ficção. De certo modo, ele nos ensina como lidar com nossas perdas durante a nossa vida também. E, então, o sentimentalismo clichê que é explorado em todas as séries de mangá e anime, ganham uma proporção fora da imaginação em Naruto.

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Seguindo os passos do seu mestre, Naruto sonha com um mundo onde todas as pessoas possam conviver de maneira pacífica, sem a exploração, sem o ódio, sem as guerras, enfim, mas esse ideal é questionado em diversos momentos por aqueles que não acreditam no que ele defende. Depois de entender a história e todo o clico de ódio gerado dentro dela, nós deixamos de odiar seus inimigos e passamos a aprender a amá-los. Não existe o sentimento de indiferença que brota com os inimigos de outras séries, em Naruto nós queremos que eles tenham uma segunda chance dentro do convívio social. Os nossos ideais, pouco a pouco, migram sem que a gente perceba. Redução da maioridade penal, pena de morte, todos esses pensamentos dão espaço à esperança de reintegração social e nós passamos a apostar no lado bom da nossa sociedade.

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O fato é que nós nos tornamos parte dele, parte do ideal que ele construiu ao longo de quase dez anos de história. Nós queremos ser como ele, queremos amar, queremos apostar num mundo onde as pessoas sejam capazes de entender umas às outras, mesmo que façamos coisas contra os princípios morais de qualquer sociedade civilizada. E Naruto pode te ensinar, pode ensinar ao seu filho e às crianças que você conhece sobre o verdadeiro altruísmo, sobre agir de maneira boa com pessoas que não podem oferecer nada em troca.

A utopia que Naruto constrói ao longo de sua vida é sustentada pela vontade de ver bem aqueles que ele viu sofrerem ao longo do tempo e isso nós levaríamos anos até aprender e praticar, mas temos a possibilidade de ensinar às crianças para que o mundo se torne um lugar assim nos próximos séculos: sem a exploração advinda do dinheiro, saudável para que seus sonhos sejam possíveis, com o diálogo e a diplomacia sendo os maiores pontos de um governante e não seu poderio bélico.

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O mangá tem 700 capítulos e o anime está quase batendo a marca de 700 episódios também. A história tem momentos cansativos, outros densos demais para que sejam compreendidos logo na primeira vez, mas vale cada minuto. No final de tudo, você percebe que não carregou por muito tempo aquele conceito de time que temos nas outras séries, apoiando um personagem em detrimento de outro, tão pouco desejando o desaparecimento de algum deles, mas fica o caráter de mudança interior. No final de tudo, você aprende a ser como ele, a ver o mundo como ele e a nunca sobrepor suas vontades e sonhos naqueles que fazem parte do teu círculo porque deseja que todos tenham as suas possibilidades também, mesmo que pensem de maneira adversa à sua. Enfim, no final de tudo, você se torna mais amável e deseja estabelecer a paz não em grande escala, no mundo ou no país, mas dentro do seu lar e esse crescimento interno é algo sem dimensões e prazo de validade.

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  • Marcelo Torrez

    Sinto muito, mas que masturbação intelectual! Foi a pior coisa que já li babando ovo para essa obra. Toda a argumentação de fanboy com um sofisma intelectual. Você conseguiu ver profundidade onde é raso, ver pedagogia onde tem hipocrisia. Naruto é “um oceano de clichês e sentimentalismo”, com um potencial de uma trama totalmente desperdiçado (mas vamos por partes).
    “Se a série tratasse apenas do clichê de superação que já vimos em diversas outras sagas (Dragon Ball, Bleach, Digimon etc.), ” Já começa o problema querer resumir que naruto é acima dos clichés, mas tudo o que aconteceu do capitulo 451 em diante (o climax) foi um emaranhado de clichés.
    “…ainda poderia estar entre as mais vistas, mas não teria o caráter pedagógico capaz de influenciar desde os mais novos até os mais adultos.” Não é pedagico.
    “A série passou por duas fases. Na primeira, a clássica, Naruto ainda era criança e agia como tal. O anime tinha o intuito de entreter aos mais novos, então ele era um personagem completamente desastrado e, de certa maneira, isso cativou o público mais jovem. Mesmo quando a série foi dublada para o português, anos depois, as crianças ainda se encantavam com “o estilo ninja” do protagonista.” Sobre a fase clássica, não tem muito o que criticar. O que ela se propõe (mostrar que o mundo em que ele vive não é uma “maravilha”) consegue passar muito bem.
    “A segunda fase, na adolescência, Naruto é um personagem mais maduro e fica claro que ele cresceu junto com os espectadores da série.” Aí começou o problema. Até o capitulo 450, naruto ainda se mantinha bem, aos trancos e barracos, aproveitando pouco o seu potencial. Também começou os “moralismos de cueca” e contradições. Mas ainda se mantinham muito bem. Agora, do capítulo 451 em diante, foi ladeira abaixo, destruindo todo o potencial da obra, tornando um “oceano de clichês e sentimentalismo piegas”.
    “E isso acontece constantemente, a cada temporada, cada ciclo do show, Naruto demonstra um amadurecimento que inspira aqueles que o acompanham desde seu lançamento.” Não, com certeza não. Como foi dito em um fórum de discussões, “Naruto foi uma obra que não amadureceu, mas seus fãs sim, o que fizeram com que eles fossem abandonando a obra, e os fanboys com mentalidade de 12 anos assumissem o controle”.
    “Como o intuito não é tratar do enredo em si, vou focar nos pontos que possuem valores fora do casulo do entretenimento.” Grande erro! Não dá para ficar analisando longa com idéias soltas. É o desenvolvimento de uma obra que vai mostrar o grau de inteligência e critica dela.
    “O sistema político tem traços da tirania na Grécia Antiga, do totalitarismo e até do comunismo, mas possui uma sutil diferença que não o enquadra em nenhum sistema conhecido. O líder da aldeia é respeitado e aclamado pelo povo, embora seja soberano em tomar decisões e, por vezes, use da força militar para controlar situações.” Desculpe, mas onde está toda esta profundidade política que você “viu”?? Naruto nunca desenvolveu seu universo político-econômico. E este é o grande potencial desperdiçado. Naruto é um daquele poucos shonenns que dá para fazer uma trama política. Você conta nos dedos o animes com esse potencial aproveitado (Gundam Wing, Fullmetal Alchemist, Code Geass, Hunter x Hunter na saga da eleição). A grande maioria não tem uma trama política (Dragon Ball, Cavaleiros do Zodiaco, Bleach…). Mas Naruto tinha, e nunca desenvolveu essas questões. Naruto tinha que ser: clássico, mostrar que o mundo é cruel; shippuden (até o capitulo 450), mostrar uma ameaça ao mundo de Naruto, e desenvolvendo o universo político-econômico; terceiro ato (do capitulo 451 em diante), com uma trama política na veia, tipo House of Cards, com um antagonista interno como o vilão principal (O Danzou cairia como uma luva neste papel). Economia, Relações Internacionais, Política, uma trama de alto nível, e menos poderes a nível de deuses, lutas que se resumem a magias, e não a golpes ou técnicas ninjas e o “escolhido” (engraçado que você ignora esses dois clichês que movimentam a obra nos últimos anos).
    “Durante a série, o tempo todo somos obrigados a dividir o fardo das perdas que Naruto sofre ao longo da história: seus pais, seu melhor amigo, seu mestre. No entanto, aprendemos a lidar com essas perdas de uma maneira que transcende a ficção. De certo modo, ele nos ensina como lidar com nossas perdas durante a nossa vida também.” Só se foi até a saga do Pein, porque já no final dela, ninguém mais morria na obra (Pein ressuscitou todos que morreram na invasão, Tsunade sendo salva pelo fantasma do Dan, Tsunade partida ao meio sendo ressuscitada pela Karin que nunca foi desenvolvida na obra, chackra infinito na 4ª guerra shinobi, o Gai ter ativado os 8 portões de chakra e não ter morrido depois, sendo que era inevitável). A falta da morte torna tudo muito óbvio.
    “E, então, o sentimentalismo clichê que é explorado em todas as séries de mangá e anime, ganham uma proporção fora da imaginação em Naruto.” O sentimentalismo em Naruto é igual a de uma obra do Nicholas Sparks.
    “Seguindo os passos do seu mestre, Naruto sonha com um mundo onde todas as pessoas possam conviver de maneira pacífica, sem a exploração, sem o ódio, sem as guerras,” É a ideologia dele.
    “enfim, mas esse ideal é questionado em diversos momentos por aqueles que não acreditam no que ele defende.” Vamos analisar os vilões de Naruto: a grande maioria deles são pessoas que foram prejudicadas pelos sistema, que se tornaram párias, foram marginalizados. E o principal símbolo desse sistema é Konoha. Logo eles querem se vingar de Konoha. Então Naruto vem e faz o seu discurso de “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. Ou seja, o vilão está errado em querer vingar contra o sistema. Ai no arco do Hidan e Kakuzu, que é de vingança e um dos melhores, Naruto não faz esse mesmo discurso para o Time Asuma, pelo contrario, não só ele como Konoha os ajudam na vingança (mandam o melhor soldado junto). Ou seja “A história tenta dar lições de vida mas depois contradiz estas lições” É de uma hipocrisia que nenhum fanboy respondeu até hoje.
    “Depois de entender a história e todo o clico de ódio gerado dentro dela, nós deixamos de odiar seus inimigos e passamos a aprender a amá-los.” Depende do vilão. Porque se for o Obito, por exemplo, você tem raiva do cabra. O motivo dele é ridículo e não convence.
    “Não existe o sentimento de indiferença que brota com os inimigos de outras séries, em Naruto nós queremos que eles tenham uma segunda chance dentro do convívio social.” Falou besteira. Os vilões de outros animes também são adorados. Só mostra que você se alienou com naruto.
    “Os nossos ideais, pouco a pouco, migram sem que a gente perceba. Redução da maioridade penal, pena de morte, todos esses pensamentos dão espaço à esperança de reintegração social e nós passamos a apostar no lado bom da nossa sociedade.”

    “A utopia que Naruto constrói ao longo de sua vida é sustentada pela vontade de ver bem aqueles que ele viu sofrerem ao longo do tempo e isso nós levaríamos anos até aprender e praticar, mas temos a possibilidade de ensinar às crianças para que o mundo se torne um lugar assim nos próximos séculos: sem a exploração advinda do dinheiro, saudável para que seus sonhos sejam possíveis, com o diálogo e a diplomacia sendo os maiores pontos de um governante e não seu poderio bélico.” Ele quer fazer a utopia virando Hokage, ou seja, entrando no sistema?? Basta você virar presidente que pronto, você pode mudar o mundo. Se você cair é porque você não teve boa vontade. Tenha dó. O jogo de interesses é muito grande. Querer não é poder. Mas isso dá “certo” porque: O mundo de Naruto jamais funcionaria economicamente ou socialmente – é muito fantasioso, sem-sentido e se resume somente a maniqueísmos)
    “O mangá tem 700 capítulos e o anime está quase batendo a marca de 700 episódios também.” Só mostra que quantidade não é sinônimo de qualidade.
    “A história tem momentos cansativos, outros densos demais para que sejam compreendidos logo na primeira vez, mas vale cada minuto.” Nunca que a 4ª guerra valeu cada minuto.
    “No final de tudo, você percebe que não carregou por muito tempo aquele conceito de time que temos nas outras séries,” Que nunca é desenvolvido.
    “apoiando um personagem em detrimento de outro” Onde que todos os personagens foram bem aproveitados, e não houve detrimento? Danzou que tinha potencial foi descartado ridiculamente. Me diz qual foi o inicio, meio e fim da porra da Tenten e do Kiba??? Do Shino? Da Ino e do Chouji? O Sai?
    “tão pouco desejando o desaparecimento de algum deles” Sério, que mundo você vive? Tem um monte de personagem inútil: Sai, Kiba, Tenten, o irmão do Gaara, que muito bem poderia ter morrido e ajudado no desenvolvimento da trama.
    “mas fica o caráter de mudança interior.” Só se for que a vingança nunca é plena para meus inimigo, pros meus amigos, tudo OK.
    “No final de tudo, você aprende a ser como ele, a ver o mundo como ele e a nunca sobrepor suas vontades e sonhos naqueles que fazem parte do teu círculo porque deseja que todos tenham as suas possibilidades também, mesmo que pensem de maneira adversa à sua. Enfim, no final de tudo, você se torna mais amável e deseja estabelecer a paz não em grande escala, no mundo ou no país, mas dentro do seu lar e esse crescimento interno é algo sem dimensões e prazo de validade.” Chaves me ensinou a ser uma pessoa melhor com muito mais sofisticação e inteligência do que Naruto.

  • Camila

    Menino concordo muito contigo! Ao assisti Naruto depois de algum tempo, pude perceber que ele carregava consigo mais que entretenimento. Toda a historia tem uma pedagogia envolvida, e nos faz pensar a maneira com a qual essas questões vão refletir em cada pessoa em nossa sociedade. O que você levantou para mim foi muito relevante ! Enxergar além do que se vê é bom de mais kk Parabéns pelo texto!