As vacas estão tão magras no gênero terror ultimamente que o cinismo que a gente cria com os lançamentos recentes acaba nos afastando de boas surpresas. Eu estava com expectativas relativamente boas para Honeymoon, e o filme me decepcionou com seu roteiro previsível, apesar das ótimas atuações. Fui quase que sem expectativas para Annabelle e o filme foi ainda mais fraco do que eu previa. E teve O Espelho, que deixei de ver no cinema justamente para não desperdiçar tempo e dinheiro, e que acabou se provando uma dessas boas surpresas.

Apostando em um jeito mais clássico de fazer terror, foi que o diretor Mike Flanagan resolveu adaptar para as telonas o seu próprio curta-metragem, O Espelho. Aqui a trama oscila entre passado e presente para mostrar a trágica história da família Russell. Onze anos atrás o Sr. e Srª. Russell foram assassinados e seu filho caçula, Tim, foi quem levou parte da culpa, o que o fez ficar internado em uma espécie de prisão psiquiátrica por mais de 10 anos. Agora livre e aparentemente recuperado do trauma, Tim se une a sua irmã mais velha para cumprir uma promessa de anos atrás, a de deter o suposto responsável pelas mortes, um antigo espelho amaldiçoado.

Apesar do filme começar criando um senso de mistério interessante acerca da “autoria dos crimes”, principalmente com as explicações racionais que Tim dá a cada evento sobrenatural apontado por Kaylie, ele não estende a dúvida por muito tempo e logo entrega que realmente tem algo maligno com o espelho. O que dá inicio a uma dinâmica bem feita envolvendo as lembranças que ambos tem da época do ocorrido, junto com a dúvida do que está acontecendo no momento.

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A criação de atmosfera que eu tanto elogiei em Invocação do Mal, também é muito bem feita aqui. Você se importa com os irmãos Russell, até porque eles são bem desenvolvidos no primeiro ato, de maneira um pouco enfadonha, é verdade, mas que ao final se mostra bem necessária. Os jump scares não são usados exaustivamente aqui, inclusive é um filme com poucos, mas eficientes sustos. Principalmente por que não apelam pra trilha sonora alta e o corte repentino, mas sim pela construção de uma tensão crescente e satisfatória.

Com exceção do Sr. Russel, interpretado por Rory Cochrane, o restante do elenco está bem. Rory não consegue transmitir o enlouquecimento do seu personagem, parecendo sempre estar meio preguiçoso, com uma expressão quase desinteressada. O destaque maior fica com Tim e Kaylie na versão criança, vividos respectivamente por Garrett Ryan e Annalise Basso. A dupla mostra cumplicidade e medo de maneira genuína e cativante.

Tecnicamente, o filme tem seu maior triunfo na edição, também assinada por Mike Flanagan, ele transita freneticamente entre passado e presente de maneira orgânica, sem fazer cortes bruscos, mas ao mesmo tempo sem fazer o espectador se confundir com o que está acontecendo.

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Enfim, O Espelho não é o filme de terror mais original, revolucionário e fantástico da história, mas sua execução competente aliada a uma edição excepcional, além da escolha de se afastar dos clichês que entopem o gênero, fazem dele uma peça sobressalente em meio a uma imensidão de filmes genéricos, e o colocam bem acima da média.

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Avaliação.
Bom

Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

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