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Apesar do título infame desse texto, Noé (Noah) de Darren Aronofsky é coisa muito séria. Para tomar a responsabilidade de adaptar uma história tão antiga e conhecida é preciso muita coragem, ainda mais quando a intenção é aumentar o público alvo da produção para além de interessados religiosos. O que é muito bem executado pelo diretor.

 

 

Filmes com essa temática não passam nem perto de novidade. Histórias bíblicas, independentemente da crença do espectador, são material ideal para a produção de épicos, e possuem todos os ingredientes para a montagem de uma obra cinematográfica. O grande mérito de Aronofsky foi enxergar o potencial da história sobre o construtor da grande arca e saber respeitar diferentes pontos de vista ainda conseguindo imprimir sua identidade, como na clara alusão evolucionista na cena da explicação sobre a gênese da Criação.

Russell Crowe as Noah

 

Através de uma solida atuação de Russel Crowe, que dá vida à uma versão hollywoodiana de Noé (lê-se “badass”), o filme mostra não só o esforço na construção do grande meio de transporte salvador da vida selvagem da Terra, mas toda a vida do personagem, desde seus dilemas causados por sua comunicação com Deus até a conclusão da limpeza de um mundo impuro.

 

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Dentro dessa linha, merece grande destaque a abordagem atual de interpretação da história por parte do diretor. Não há no longa uma grande voz gultural dando ordens ao personagem, nem aparições de velhinhos de branco que falam serenamente mostrando superioridade. As mensagens são interpretadas subjetivamente pelo personagem de Crowe, através de imagens e sonhos, mostrando a seriedade da obra, e despertam no espectador a gratidão de uma perspectiva corajosa. Imagens essas que também merecem destaque. Com momentos memoráveis de fotografia, o filme tem um visual ótimo, retratando bem uma Terra antiga sem que a mesma perca a identidade, e construindo uma linguagem de camadas, onde conta a história famosa e inspiradora e também passa entrelinhas a beleza do que não é facilmente compreensível, desde momentos onde a luz de um sol nascente no horizonte é recortada pela silhueta dos atores, criando na tela uma bela pintura digna de reflexão sobre a beleza do mundo em que vivemos, até o constante questionamento de Noé consigo mesmo sobre suas responsabilidades.

 

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Logan Lerman também entrega uma atuação honesta, interpretando o filho do personagem principal, Cam transmite diferentes gamas de emoções, mostrando que o ator continua evoluindo e mereceu seu lugar no épico. Sua companheira de As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower), feito anteriormente pelos dois, Emma Watson deixa claro que superou seus dias de produções infanto-juvenis e caminha pra uma boa carreira depois de interpretar Ila, mostrando que ainda precisa evoluir, mas está no caminho certo.

NOAH

 

Longa bem executado que permite que sejam perdoadas a atuação superficial de Douglas Booth como Sem, que talvez não tenha tido muito espaço, e o overacting de Ray Winstone como uma versão esteriótipo de vilão em TubalCain. Muito é perdoado pela presença de Anthony Hopkins que faz um Matusalém à imagem de um avó que todos gostaríamos de ter.

 

 

Um bom filme em termos de direção e adaptação, com anjos gigantes feitos de pedra, batalhas estrondosas e Russel Crowe saudoso de Os Miseráveis (Les Miserables) cantando novamente.

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