Midnight Special (Midnight Special – 2016)

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Jeff Nichols definitivamente passou da fase de promessa do cinema para uma realidade: é um dos grandes cineastas dessa geração. Aos 37 anos, acaba de lançar seu quarto longa metragem, pela primeira vez ao lado de um grande estúdio, para confirmar o imenso talento já demonstrado em suas três obras anteriores, Shotgun Stories, Mud e Take Shelter.

Alton (Jaeden Lieberher) é um garoto de oito anos que possui algumas habilidades especiais, o que o coloca no centro de um misterioso culto religioso, sem falar nas forças da lei, como FBI e NSA. Logo, cabe a seu pai Roy (Michael Shannon), fazer de tudo para protegê-lo, dando inicio a uma intensa perseguição pelas estradas dos EUA. É o máximo que se pode informar sobre a trama sem prejudicar a experiência do espectador.

A parceria de um cineasta independente com um grande estúdio sempre assusta. O medo das obrigações comerciais superarem a questão artística é real e casos para justificar esse temor são o que não faltam. Esse “peso” é sentido em Midnight Special, mas não de forma tão negativa, o que fica evidente é que esse é o filme com mais ação do diretor. Mas essa ação é coerente e não entra em conflito com uma das características dele, a cadência na hora de conduzir sua história.

MIDNIGHT SPECIAL

Midnight Special mescla vários gêneros, temos elementos que remetem aos mais notáveis sci-fis das décadas de 70 e 80, boas doses de road trip, uma pitada de suspense aqui, um bocado de filme de perseguição ali e principalmente, muito do que permeia a carreira do diretor: o drama familiar. Nesse sentido se encontra um dos problemas do filme, ele é inconstante narrativamente falando, alguns dos subgêneros não conversam bem entre si da forma que foram construídos, tornando o resultado um pouco instável.

A parte que mais se destaca é novamente a questão familiar, e assim como em Take Shelter, o grande assunto do filme não está escancarado. Midnight Special é um filme essencialmente sobre paternidade, sobre suas responsabilidades e até sobre suas não-responsabilidades, se assim podemos dizer, sobre seus medos e sobre o que talvez seja o maior desafio para um pai ou mãe, entender que o caminho que seu filho irá trilhar não está sobre seu controle. E um dos grandes méritos do longa é proporcionar essa reflexão familiar em meio a um filme referencialmente familiar, é impossível não lembrar de ET: O Extraterrestre, por exemplo.

O elenco de Midnight Special é um dos diferenciais da obra. Michael Shannon, colaborador habitual de Nichols, dá mais um show de talento. Ele é um pai dedicado, obstinado, que não mede esforços para o bem de seu garoto, e Shannon mais uma vez imprime muita verdade em seu personagem. Joel Edgerton tem um desempenho contido, mas carismático, assim como Adam Driver. O garoto Jaeden Lieberher também demonstra segurança no papel de Anton, conferindo credibilidade ao projeto como um todo.

Midnight Special não é o melhor filme de Nichols, mas é uma confirmação definitiva de suas capacidades. Tem uma bela trilha sonora, uma ótima carga referencial e um subtexto repleto de relevância. Um ótimo filme.

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