Mayor (The Major) – A frieza externa e interna das pessoas

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Em uma manhã fria no interior da Rússia um oficial da policia local recebe um telefonema: sua esposa acaba de entrar em trabalho de parto na maternidade. Ele dirige em alta velocidade para testemunhar o fato, mas no caminho acaba se envolvendo em um acidente fatal. Há apenas uma testemunha no local, a mãe da vítima. Agora ele tem que decidir entre assumir as consequências de seus atos e prejudicar sua vida e carreira, ou contar com a ajuda de seus colegas corruptos para arranjar uma outra saída.

Essa é a trama do excelente Mayor (The Major – Maйop), do diretor Yuri Bykov. Um filme que, apesar da frieza, trata de maneira humana um grande dilema moral e ético: O que você faria se tivesse que escolher entre a vida de um ente querido e a de um desconhecido? Aqui esse questionamento é feito mostrando uma espiral de acontecimentos infelizes, que ocorrem como em um efeito dominó. O longa ainda pincela críticas á um comportamento miliciano de alguns órgãos policias, que amedronta mais do que protege.

The Major

Tecnicamente o filme também não deixa a desejar, com uma fotografia tão gélida quanto ás paisagens russas, além de uma trilha sonora muito bem colocada. Trilha que foi composta pelo próprio diretor Yuri Bykov, que também atua no filme, demonstrando competência nas três funções. Denis Shevod , Ilya Isaev e Irina Nizina, que completam o elenco também estão muito bem.

Talvez o único ponto questionável do longa, o que não é exatamente um demérito, foi ter mirado no suspense policial, com uma trama  sobre corrupção e impunidade, e acertado no drama de auto-conhecimento, como um estudo de caráter, abordando a hipocrisia de julgar alguns atos de crueldade das outras pessoas, sem se colocar no lugar delas, ou colocando-se de maneira leviana.

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No fim ainda se instaura um ar de aleatoriedade na história, semelhante com o que acontece em Onde os fracos não tem vez (No Country for old Men), e que pode incomodar alguns espectadores. Enfim, Mayor faz jus aos 99 minutos investidos nele, o que justifica o belo caminho que fez nos festivais do ano passado. Um inesperado achado do cinema russo, que com certeza merece ser visto.

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