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A singela opinião de quem não é uma profunda conhecedora do universo Marvel, mas adora uma pancadaria honesta.

Conheci o Luke Cage na série da Jessica Jones e já o achei um personagem bem interessante. Super força, resistência e regeneração, combinados com um ar de “não sou herói” pode não ser uma fórmula inovadora, mas é sim, eficiente. Enfim, gostei do cara – e isso não tem nada a ver com aquele homão da porra e suas cenas quentes com a Jessica…

Depois dessa amostra grátis, a Netflix lançou a série solo do homem. E para ela, dou 3 cafés, de 5. Pode não ser a nota máxima, mas passa de ano com louvor.

Como gosto de incentivar as pessoas, aprendi que antes você aponta os erros e depois exalta os acertos, então vamos lá:

luke

O primeiro ponto negativo vai para a atuação de Mike Colter, justamente o Luke. Tá certo que na maior parte do tempo ele está fazendo cara de mau e socando narizes e paredes e para isso, não precisa ser nenhum Forest Whitaker. Cigano Igor daria conta do recado… Mas, confesso que cobro demais das produções Netflix e queria sim que as – raras – cenas “emocionantes” ou mais dialogadas não fossem tão sofríveis. Contudo, o que a gente quer mesmo é ver um cara grandão bravo chutando bundas por onde passa, e isso ele faz muito bem.

Outra coisa que me incomodou bastante foi a constante cara de tonta da Mercedes “Misty” Knight, interpretado por Simone Missick. Ela fica perdida entre o dever de prender Cage e a sua intuição de que ele é inocente. Ok, concordamos que é um dilema e tanto, mas ela não precisava ter aquele semblante aéreo sempre. Por outro lado, reconheço que ela tem umas declarações bem poderosas e, por isso, gostaria de ver mais esse lado dela.

misty-claire

Em compensação, o que faltou de Misty, sobrou de Claire Temple, interpretada por Rosario Dawson. O personagem foi criado para ser elo entre as histórias do universo Marvel e eu acho isso incrível e funciona muito bem. Porém, no Harlem, ela tem uma participação muito mais ativa do que em Hell’s Kitchen. Lá, ela é o anjo da guarda que aparece para salvar o herói em seus momentos difíceis. Aqui, ao lado de Cage constantemente, é ela quem o conduz em sua jornada para aceitar o papel de herói. E não, esse não é o problema, até gostei disso. O que não gostei foi do semi envolvimento dos dois. Como não deixaram um romance descarado, ainda há a possibilidade de ser apenas sexo. É menos mau, mas ainda muito próximo do clichê romântico e isso me dá preguiça. Por que toda parceria entre um homem e uma mulher tem que acabar necessariamente em romance? Que tédio….

Para finalizar os pontos negativos, deixei a pior parte: o confronto final mocinho X vilão. Passamos a temporada esperando por essa luta e quando ela acontece é bem blá, recheada de clichês, flashbacks desnecessários e com maior cara de briguinha de moleques. Bem aquém das outras cenas de ação da série. Entretanto, apesar dessa ceninha, o episódio final tem um ótimo desfecho.

Afinal, vamos falar de coisa boa?

aracy

A música! Ah, a música… A trilha sonora é quase um personagem a parte. Além de sua presença marcante, ela nos antecipa alguns acontecimentos. Boa parte da trama ocorre na casa de shows de propriedade dos vilões. Um deles, muito ligado à música, escolhe com cuidado os músicos que se apresentarão no palco de sua casa. E quando há uma apresentação ou passagem de som, sabemos que algo grande se aproxima, normalmente, uma boa cena de ação. E aí, os dois elementos, ação e música, se unem numa bela coreografia. Além da beleza dessa união, ao percebermos esses “anúncios”, já criamos expectativas pelo que está por vir.

Outro cuidado da produção é a fotografia. É preciosa. Confesso que não tenho mais que algumas coberturas do Oscar como formação para palpitar sobre fotografia, mas mesmo sendo leiga, não dá para passar indiferente a cenas como essa:

Todos querem ser o Rei
Todos querem ser o Rei

Aliás, nesta bela imagem, está Cornell “Boca de Algodão” Stokes, interpretado por Mahershala Ali, um dos meus personagens preferidos. Ô vilão classudo! Além da elegância, ele também é bem ruim, mas sua trajetória nos conta o quanto sua vida poderia ter sido diferente. Não quero falar muito, para evitar spoilers, mas posso garantir que se trata de um personagem profundo e cativante.

Profundidade é o que também encontramos na parceira de vilania de Boca de Algodão, sua prima Mariah Dillard, interpretado por Alfre Woodard. Considerando-se uma não criminosa, ela faz vista grossa às atividades do primo e recebe todo o apoio $$$ dele para obter sucesso em sua área: a política.

mariah-dillard

Ela no congresso, ele nas ruas. Assim eles dominam o Harlem. Até que aparece um tal de Luke Cage e desestabiliza tudo.

Diante desse desequilíbrio, Mariah é levada a tomar atitudes, posicionar-se mais definitivamente e então descobre um poder até então adormecido. Surge uma mulher resoluta, sagaz e ruim, bem sangue ruim mesmo.

Ainda sobre os personagens, quero fazer menção honrosa a Hernan “Shades” Alvarez, interpretado por Theo Rossi. Inicialmente, ele parece só observar o caos por de trás dos seus óculos escuros, indiferente a tudo e até se divertindo com a bagunça que está começando. Mas depois… A volta que ele dá e a forma como ele vai construindo suas oportunidades é admirável. Esse personagem sozinho já me faz ansiar a 2 temporada. Mas seria mentira dizer que ele é o único responsável por isso.

Luke Cage merece uma segunda temporada porque teve um excelente desfecho, cheinho de possibilidades, mas sem deixar os atuais assuntos sem resolver. Eles só viraram novos problemas.

Apesar da luta final ter sido um pouco broxante para mim, tudo o que se seguiu no episódio me agradou bastante. Não houve um “final feliz”. Quando parece que tudo dará certo e os mocinhos estão livres e o vilão vai pra cadeia, dá o maior ruim e muda tudo. Calma, sem spoilers. Só digo que a forma como mudam os rumos só me fez gostar mais da série.

Pode não ser nenhuma série revolucionária, mas cumpre bem seu papel de entreter com uma boa pancadaria, trama envolvente e vilões bem construídos.

E vocês, o que acharam? Que nota dão para a série?? Pitacos sempre são bem vindos! =)

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