No Limite da Mentira (The Debt) – Toda ação tem sua reação, por mais tardia que seja

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The_Debt_Movie_freecomputerdesktopwallpaper_1600Alguns bons filmes acabam passando despercebidos pelo público por uma série de motivos. The Debt é mais um exemplar desses casos. Lá por meados de 2009 o diretor John Madden, de O Exótico Hotel Marigold, rodou o remake de Ha-Hov, suspense criminal israelense de 2007, com roteiro adaptado por Matthew Vaughn. Mas, por problemas no estúdio, seu lançamento foi sendo sucessivamente adiado até chegar ao final de 2011, quando conseguiu chegar aos cinemas em um circuito bem restrito. Como só em 2014 eu fui descobrir essa pérola, aqui vai a minha análise.

 

The Debt se passa em dois períodos temporais, primeiro em 1965, quando conhecemos Rachel (Jessica Chastain), David (SamWorthington) e Stefan (Marton Csokas), três agentes especiais do Mossad que estão infiltrados na Alemanha, e que logo após o fim da 2ª Guerra estão em uma perigosa missão para capturar um perigoso médico nazista. A segunda em 1997, com os agentes ainda colhendo os louros de seus serviços prestados á nação – agora interpretados por Helen Mirren, Ciarán Hinds e Tom Wilkinson – quando de repente uma grande revelação acerca do passado deles pode vir á tona, e uma nova missão se inicia.

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Esses dois períodos temporais trazem uma distinção muito clara, não só estética, como era de se esperar, mas também em ritmo e – porque não dizer – em qualidade. 1965 traz uma narrativa com mais suspense, ação e um clima claustrofóbico interessantíssimo, principalmente por se passar quase que inteiramente dentro de um apartamento. Já em 1997 temos uma série de cenas longas demais, sem muita função, e que soa um pouco como encheção de linguiça.

 

A subtrama romântica, diferente da maioria dos filmes não “românticos”, não atrapalha, pelo contrário, colabora muito no desenvolvimento dos personagens e faz parte da concepção dos conflitos. Há uma série de reviravoltas na trama, com pistas falsas jogadas na tela, mas que não te deixam a sensação de enganação. Tudo é usado para refletir e entender as atitudes dos agentes, no passado e no presente. E é uma boa metáfora para decisões que nós mesmo temos que tomar.

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Além da trama bem escrita, outro ponto forte do longa são as atuações. Jessica Chastain e Helen Mirren são duas das melhores atrizes da atualidade, e entregam um desempenho excelente como a insegura Rachel. Marton Csokas e Tom Wilkinson também convencem bem, como o confiante e sedutor Stefan. David é um personagem mais contido e também conta com boas interpretações, e olha que um dos atores é o Sam Worthington. Mas o maior destaque fica para o ator dinamarquês Jesper Christensen, que interpreta brilhantemente Dieter Vogel, mais famoso pela alcunha de o “Cirurgião de Birkenau”, o grande antagonista do filme.

 

O britânico John Madden entrega em “No Limite da Mentira” seu 2° melhor filme, com um suspense instigante, inteligente e com cenas de ação bem trabalhadas. Infelizmente, ele passou despercebido na época de seu lançamento, mas com certeza é um suspense que vale ser visto.

 

Nota: 7,5

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