No limite do Amanhã – O dia da cyber-marmota

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Há pouco mais de um ano Tom Cruise animou todo mundo com a nova ficção científica estrelada por ele, Oblivion, cuja proposta e materiais de divulgação foram muito empolgantes. O filme em si não foi grande coisa. Em 2014, novamente, ele se envolveu em um projeto sci fi que fisgou muita gente pelos trailers e pela proposta. E agora, será que ele acertou a mão?

 

O Major Bill Cage (Cruise) é responsável pela assessoria de imprensa do exército, até que ele recebe a missão de cobrir/participar de uma importante batalha na Normandia. Ele recusa, é rebaixado de posto e enviado para o combate junto com os “soldados normais”. Em seu primeiro encontro com um dos invasores que está em confronto com a Terra, ele é infectado e adquire o poder de resetar o mesmo dia a cada vez que morre. Agora ele tem que se utilizar dessa nova habilidade para levar os humanos á vitória contra os terríveis invasores.

 

Uma trama simples, nada original, mas muito divertida quando bem explorada. A história é baseada no romance All You Need Is Kill, do japonês Hiroshi Sakurazaka, e recebe um belo tratamento do roteirista Christopher McQuarrie. O longa consegue fazer a repetição do tal Dia D de forma que não fique cansativo, e também desenvolve muito bem o personagem de Cruise no processo. Diferente da maioria dos blockbusters de hoje, No Limite do Amanhã não se restringe ao entretenimento escapista, mas também utiliza da sua ambientação e linguagem para criticar a guerra, fazendo inúmeras referências politicas e históricas, como o desembarque na Normandia, o dia D, e o tratamento dos governantes com os jovens soldados, enviados para a morte.

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A tão comentada linguagem “vídeo-gamística” também está ali, e pode ser vista de várias formas. Desde o checkpoint em cada morte, quando você já sabe o que fazer pra não perder naquele ponto do jogo. Até o cansaço e irritação que o personagem de Cruise demonstra, parecido com o dos jogadores que tem que passar de novo por aquela fase fácil e chata que ele já passou 500 vezes.

 

Cruise, inclusive, entrega uma ótima atuação. Seu personagem cresce na trama, vive, aprende, sofre, morre, vive, cansa, morre e vive de novo. E essa sensação é muito bem transpassada em suas expressões. É notável também a dedicação nas cenas mais “perigosas”, abrindo mão do uso de dublês em várias ocasiões. Emily Blunt, linda como sempre, consegue convencer muito bem como a “girl power mother fucker pica das galáxias do exoesqueleto”.

 

As cenas de ação são limpas e bem feitas, sem muito metal retorcido na nossa cara. Os extraterrestres invasores realmente conseguem assustar, justamente por não serem muito de conversa, e sua forma maleável contribui para essa sensação. O ponto fraco está no terceiro ato do filme, quando ele se leva mais a sério do que o necessário, e se rende a alguns clichês, como a inserção desnecessária de um envolvimento romântico entre os protagonistas. Ele se perde ao ponto de quebrar algumas de suas próprias regras sem perceber, e chega a ser meio broxante.

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Mesmo assim, a direção ágil e competente de Doug Liman coloca No Limite do Amanhã entre os grandes filmes de looping temporal, além de trazer um pouco mais do que uma hora e meia de diversão. Críticas, homenagens e referências pontuais abrilhantam esse belo trabalho que estará, sem dúvida, entre os melhores blockbusters do ano.

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