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Joe trilhou seus caminhos nos festivais do ano passado causando certo burburinho, a crítica foi mista ao receber o novo longa do americano David Gordon Green, os principais comentários mesmo ficaram acerca da ótima atuação de Nicolas Cage, que dá sinais de que pode voltar a ser aquele Nicolas Cage dos áureos tempos.

Cage é Joe Ransom, um ex-presidiário de comportamento introspectivo que tenta levar a vida em meio a miséria interiorana do sul dos EUA. Ele trabalha coordenando um grupo de homens que envenenam árvores sob ordem de uma madeireira. É nessa circunstância que ele conhece Gary (Tye Sheridan), um adolescente com uma família problemática, que procura um emprego para que possa ajudar em casa, e que acaba criando um forte laço de amizade com Joe. O filme é baseado no romance escrito por Larry Brown, e se assemelha em estrutura com outro filme citado aqui, Mud, que também tinha Tye Sheridan no elenco.

O longa de Green mostra de forma bastante crua uma história corriqueira, que mistura redenção e a busca por uma figura paterna que lhe inspire confiança. Gary procura alguém para ocupar o espaço que seu pai, violento e viciado, não ocupa, enquanto Joe tenta ser para Gary, algo que ele mesmo possa não ter tido em sua adolescência. Tudo isso em meio as ruínas e pobreza vista naquela pequena cidade.

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Por ser um filme essencialmente interessado em desenvolver a relação entre seus personagens, pode ser que a falta de uma origem para eles incomode alguns espectadores, mas isso não chega a ser um demérito. O que recebemos é suficiente para descobrir quem são eles, tanto Gary quanto Joe são pessoas de bom coração, mas que são judiadas pelas circunstâncias, enquanto o jovem sofre com os abusos de seu pai, tem que lidar com sua mãe e irmã apáticas e sofridas; o quarentão Joe sofre com as consequências de seu temperamento explosivo, e por isso acaba sendo “perseguido” pelas autoridades, além de estar sempre na hora errada, e no lugar errado.

A construção da trama se dá de maneira bem lenta, com várias tomadas longas, mas muito bem dirigidas. O roteiro peca ao incluir algumas cenas para reforçar uma mensagem que já tinha sido compreendida, dando uma incomoda impressão de repetição. Mas o ponto alto do filme são mesmo as atuações, Nicolas Cage entrega sua melhor performance em muitos anos, construindo um personagem sombrio e com acessos de violência, controlando os tiques e caretas que o transformaram no rei dos memes. Tye Sheridan, mesmo fazendo um personagem bem parecido com o que ele tinha desempenhado em Mud, reafirma seu talento como um dos jovens atores mais promissores dos últimos anos. Mas quem realmente chama atenção é Gary Poulter, o sem-teto recrutado pelo diretor para dar vida ao pai do garoto. Ele consegue passar todo o peso de uma vida sem valor, e de todos os comportamentos inconsequentes tomados pelo seu personagem. Uma pena ter voltado para as ruas e falecido meses após as filmagens.

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No fim, Joe acaba se prejudicando ao tentar dar um fechamento mais impactante do que a trama pedia, mas não tira o brilho desse bom drama, e se ele não é o suficiente para recolocar Nic Cage no primeiro escalão de atores dramáticos, pelo menos mostra que aquele cara que fez Despedida em Las Vegas e Adaptação, ainda está ali em algum lugar.

Nota: 7,5

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