Grant Morrison é um maluco. Qualquer um que tenha lido um quadrinho escrito pelo escocês sabe disso. Mesmo nos seus momentos de sobriedade com a Liga da Justiça, a insanidade conceitual do roteirista estava presente. Não é de se surpreender que uma história que tenha como protagonistas um ex-policial degenerado e um unicórnio azul imaginário tenha saído da sua mente genial e doentia. Não é de se surpreender também que a adaptação de uma obra assim saia do canal SyFy. O que talvez surpreenda é que resultado seja uma das séries mais divertidas da atualidade.

Nick Sax, interpretado pelo carismático Christopher Meloni (mas poderia facilmente ser interpretado pelo Nicolas Cage), é um ex-policial chafurdado em decadência. Depois de abandonar a corporação e a família, ele ganha a vida como assassino de aluguel no submundo do crime de Nova Iorque, até o momento em que, numa emboscada, acaba matando quatro mafiosos e recebendo uma informação que não deveria receber. Nick acaba sofrendo um infarto, e ao acordar se depara com um unicórnio azul que pede ajuda para resgatar uma criança que foi raptada. Agora o degenerado ex-policial está na mira da máfia, enquanto é atormentado por uma criatura imaginária e tenta resolver um sequestro.

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Se essa sinopse já foi longe demais pra você, melhor nem tentar continuar. É só o começo da total loucura que foi essa primeira temporada de Happy! Enquanto nas entrelinhas acontece uma trama policial convencional, digna de qualquer filme meia boca do Domingo Maior, na sua cara estão sendo jogados personagens que vão de um Papai Noel do Inferno (e não são todos?), até um assassino com fantasias sexuais peculiares e um apresentador de programas infantis com sérios desvios de personalidade. É claro, sem esquecer o unicórnio azul imaginário.

Mas não vamos creditar toda a insanidade ao material fonte, é preciso um diretor tão maluco quanto para dar vida a certas ideias, e aí entra o ótimo trabalho de Brian Taylor, que tem no seu portfólio passagens como Jason Statham transando no meio de um pista de corrida de cavalos, ou ligando uma bateria de carro aos mamilos em Adrenalina 1 e 2, ou Nicolas Cage mijando fogo em Motoqueiro Fantasma: Espirito de Vingança, ou o Nicolas Cage tentando matar os próprios filhos com uma serra tico-tico ao lado de Selma Blair no recente Mom and Dad. E isso não tá nem próximo do que ele “executa” nos cinco episódios que dirige.

Mas para além de uma trama policial e um exercício de degeneração, Happy! conta uma história de redenção natalina. Sim, como se fosse um encontro entre Um Homem de Família e Vicio Frenético, dois filmes com o Nicolas Cage, temos um homem numa espiral de drogas, álcool e autodestruição, mas que no fundo tenta recuperar sua família. Nick Sax é um personagem para quem torcemos ao mesmo tempo em que apreciamos sua desgraça, fisicamente falando. Ele é uma mistura bizarra de John McLane com Wile Coyote, que apanha mais que boi ladrão mas sempre tenta de novo.

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E claro, não podemos deixar de falar de Happy, o cavalo azul imaginário, inocente, cheio de boas intenções e até meio bocó, antes de ter contato com o submundo de mafiosos, traficantes e torturadores, é claro. Acredite, o personagem animado brilhantemente dublado por Patton Oswalt é a coisa mais normal que vemos em tela. São oito episódios em que você se pega constantemente pensando “que porra é essa que eu acabei de ver?”

Happy! é uma série agridoce, com um senso de humor bizarro e nenhuma moralidade. É extremamente violenta, mas uma violência caricata, típica dos quadrinhos. É a pedida certa para o fã de experiências estranhas.

Happy! já foi renovada para a segunda temporada e a primeira acaba de chegar na Netflix.

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Vinicius Salazar

24 anos, mais ou menos estudante e muito Corinthiano. Fã de filmes e séries que ninguém vê.

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