Filmes prejudicados pela interferência do estúdio

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Nós fãs costumamos ficar bem decepcionados quando um filme que aguardamos muito acaba não saindo como o esperado, e então desandamos a reclamar dos diretores, dos roteiristas, dos atores e até da tia do café. Mas ás vezes, a culpa acaba não sendo dos caras, eles são só funcionários, tem que acatar as ordens dos caras que injetam dinheiro na parada. O problema é que, na grande maioria das vezes, os caras do dinheiro não sabem nada de porcaria nenhuma, e acham que seus pequenos palpites vão tornar o filme mais rentável, quando na verdade só vai torná-los ruins. Então, vamos lembrar de alguns casos em que a intromissão dos estúdios e produtores influenciou negativamente e os filmes acabaram prejudicados.

X-Men Origens: Wolverine

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O primeiro filme solo do Carcaju foi muito bem na bilheteria, mas pessimamente recebido pelos fãs e pela crítica, isso porque ele trouxe um roteiro fraquíssimo, versões risíveis de personagens muito conhecidos (sim, Deadpool, estou falando de você), e uma história feita basicamente de cenas de luta e explosões.

Mas, em defesa do diretor Gavin Hood, temos que deixar claro que grande parte do resultado final do longa foi influência do CEO da Fox, Tom Rothman. Foi ele quem exigiu que o filme tivesse uma pegada mais “light” do que o planejado inicialmente. Foi dele também, a ideia de lotar o filme de coadjuvantes, para conseguir emplacar algum spin off depois. Mas sua maior interferência que veio a público, foi quando ele mandou repintar e redecorar um cenário na ausência do diretor, isso porque ele achou que estava “sombrio demais”. Então, sempre que for xingar o filme do Wolverine, lembre-se, Tom Rothman é o seu cara.

 

A Bússola de Ouro

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Em 2007, a Warner já buscava uma nova franquia para cobrir o iminente fim da Saga Harry Potter, e uma das cotadas foi a adaptação do primeiro livro da série His Dark Materials, Northern Lights (adaptado como The Golden Compass). Os produtores aprovaram a ideia, mas limaram toda a parte que eles julgaram “ofensiva” da obra transformando o filme em uma adaptação rasa demais.

Qual era essa parte ofensiva? Bem, digamos que o livro traz uma forte mensagem anti-religiosa, claro, dentro do contexto, mas o estúdio, conhecendo o poder de um boicote religioso, preferiu não arriscar. Mesmo assim, a Liga Católica dos EUA boicotou o longa, fazendo com que a bilheteria doméstica fosse muito abaixo do esperado, e enterrando os planos de continuação.

 

Superman II

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Richard Donner tinha feito um ótimo trabalho em Superman, mas os produtores não curtiram muito, e isso forçou a saída do diretor no meio da produção da continuação. Em seu lugar foi contratado Richard Lester, que concluiu as filmagens, além de refilmar grande parte das cenas já feitas por Donner.

O resultado foi uma mudança de tom na história, que ganhou ares de comédia pastelão, bem diferente do pretendido por Donner. O longa acabou se tornando o filme mais editado da história, e foi o começo da decadência filmográfica do azulão.

 

Cruzada

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Ridley Scott é uma cara que vez ou outra tem problemas com os estúdios, principalmente por que seus filmes tem histórias muito mais densas do que o público de cinema pipoca está acostumado, ao mesmo tempo que são produções muito caras, e precisam se pagar. Logo, os estúdios tentam transformá-los em filmes muito mais comerciais, e acabam jogando fora a essência da obra.

Foi o que aconteceu com Cruzada, cujo corte final de Scott passava de 3 horas de duração, mas isso não agradou nosso querido Tom Rothman (de novo, ele), que exigiu uma redução drástica. Isso fez com que alguns personagens tivessem bem menos tempo de tela, e outros sendo completamente limados do filme. O resultado acabou até sendo razoável, mas a versão do diretor lançada nos DVDs foi bem melhor.

 

Hancock

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Hancock ficou mais de 10 anos transitando nos bastidores em busca de um estúdio para bancá-lo. A dificuldade de vender esse projeto, dava-se principalmente ao teor do roteiro, o anti-herói bêbado interpretado por Will Smith tinha uma história muito mais sombria do que o filme mostrou.

Mas depois da entrada do astro, o estúdio decidiu transformar a ideia em um filmezinho sessão da tarde para toda família, com o intuito de ganhar umas doletas a mais. Conseguiu, o longa foi um sucesso, mas os dois roteiristas envolvidos no projeto admitem que perderam a oportunidade de fazer algo “especial de verdade”.

 

Homem Aranha 3

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Já falamos aqui sobre Homem Aranha 3, e eu citei os argumentos dados pelo diretor Sam Raimi para o resultado muito aquém do esperado do filme. Ele disse que a autonomia criativa que tinha nos dois primeiros filmes, lhe foi tirada no terceiro, principalmente pelo produtor Avi Arad, que exigiu a inserção do vilão Venom, e da personagem de Gwen Stacy, que não estavam nos planos do diretor.

Além disso, algumas pessoas próximas ao diretor disseram que ele tomou algumas decisões apenas para irritar esse produtor, como a escolha do ator Topher Grace para viver Eddie Brock. O resultado é aquela beleza que conhecemos. Bom, essas divergências criativas foram o motivo para que o quarto filme de Raimi não fosse mais produzido, ambém.

Ah, eu falei ali em cima sobre Tom Rothman, CEO da Fox, pois é, além de Cruzada e X-Men Origens, ele também foi responsável por mudar os rumos de outros filmes também, entre eles Demolidor, Tróia e os dois Quartetos Fantástico. E ele é tido como um dos principais responsáveis pela fase de péssima qualidade vivida pelos filmes do estúdio.

Além desses casos, também temos o clássico Blade Runner, que teve que passar por uma dezena de re-cuts, ou os casos em que a classificação indicativa baixa causou mudanças importantes, como nos dois últimos Duro de Matar, ou no filme do Justiceiro de 2004. Mas e aí, lembra de mais algum caso de interferência drástica dos estúdios, então deixe aí nos comentários.

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