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Sempre que nos é apresentado um mundo futurístico recebemos as informações já formadas no clichê de tantas produções precedentes. A tecnologia em níveis consideravelmente mais avançados que a contemporânea é a informação mais destacada, com ilustrações que vão desde os meios de transporte predominantemente voadores até a robotização de todo e qualquer atendimento necessário. Não é por ser clichê que será sempre ruim, pois tudo que é bem trabalhado pode ser bom, sendo o que vemos acontecer em Ela (Her) de Spike Jonze, onde além da atmosfera timidamente futurística, que não propões absurdos e mantém os dois pés na realidade, vai mais longe e mostra a evolução do ser-humano com muito mais destaque do que a evolução da tecnologia.

 

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Toda a premissa de Ela cria rapidamente um preconceito aos mais desavisados e intolerantes. A ideia de que alguém possa se apaixonar por uma vida artificial é rejeitada justamente por termos nisso um medo muito real. A humanidade caminha cada vez mais aceleradamente em direção a um distanciamento interpessoal. Estamos cada vez mais amigos de nossos periféricos tecnológicos e cada vez mais distantes dos nossos companheiros de convivência, cada vez mais dependentes de smartphones e cada vez menos solidários.

 

 

Apesar de mostrar uma verdade não muito bonita, o longa tem um alto grau de identificação com o telespectador justamente por sua honestidade, tanto visual quanto ideológica. A evolução do homem é mostrada não só pelas ações humanas, mas também pelas ações da máquina. É possível enxergar claramente mudanças de pensamento e constante aprendizagem da personagem sem corpo interpretada por Scarlett Johansson através dos diálogos intimistas e otimamente escritos por Jonze e fazer um paralelamento com a evolução do nosso ser, ilustrado pelo carismático Joaquin Phoenix, sendo a inteligência Samantha uma versão acelerada desse processo, colocando seu comportamento utópico, sendo esse sua perfeição de satisfação às necessidades de Theodore de Phoenix, no momento atual em que vivemos. E então, ela vai além, e ilustra não só o resultado das nossas constantes indagações sobre a vida, mas o resultado desse distanciamento emocional que vivemos constantemente.

 

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Desde os primórdios da nossa existência temos sofrido mudanças, não só fisiológicas e psicológicas como sociais, e o filme nos lembra de que essas mudanças não param e merecem atenção. O receio de tais mudanças é precipitado, mesmo sendo de nossa natureza temer tudo que é novo e desconhecido, como mostrado também no relacionamento de Theodore e Samantha e o cuidado para lidar com pontos de vista alheios sobre a situação dos mesmos, mas o questionamento e a curiosidade sempre devem ser exercitadas, na busca de entendimento e novo conhecimento.

 
Ela” consegue nos lembrar do passado, valorizar o presente e pensar no futuro, através de diálogos que podem se mostrar presentes nas vidas de todos que venham a assistir, e mostra como devemos escutar para compreender que não temos pleno entendimento de todos os sentimentos, que esses sentimentos mudam de forma e de gosto a cada passo da vida. Num romance plenamente atual, o futuro se faz próximo, e Jonze constroi um mundo imperdível.

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