Crítica: White bird in a Blizzard – O interior da casa com a cerca branca

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Conheço pouco dos trabalhos do cineasta Gregg Araki, mas pelo que sei ele é um desconstrutor, que gosta de abordar temas corriqueiros, mas de maneira ousada e quase marginal. Se isso pode ser considerado uma síntese de seu trabalho, creio que White bird in a Blizzard é uma boa introdução, e quase um resumo de sua filmografia.

 

Baseado no livro de mesmo nome escrito por Laura Kasischke, Gregg nos conta a história da adolescente Kat (Shailene Woodley), e sua entrada na vida adulta em meio a uma conturbada trama familiar. A história se passa em 1988 e mostra Kat como uma adolescente comum, que estuda, vai á festas com os amigos, além de namorar seu vizinho Phil (Shiloh Fernandez). Ela é filha de Eve e Brock Connor (Eva Green e Christopher Meloni), uma casal aparentemente normal e feliz. Essa rotina padrão de família americana vem abaixo quando a Srª Connor simplesmente desaparece do mapa, sem deixar rastros.

 

O roteiro escrito pelo próprio Araki, nos mostra como funcionava o relacionamento daquela família na visão de nossa protagonista. Seu pai era um cara normal, trabalhador, mas estranhamente passivo em relação a sua família. A mãe, desiludida com o rumo que sua vida tomou, sentindo se velha e culpando o marido pelo tempo desperdiçado, começava a descontar sua frustração na filha, quase que como um despeito por vê-la viver o que ela não pôde. Enquanto a própria Kat seguia seu amadurecimento, suas descobertas sexuais, conformada com o desaparecimento da mãe, principalmente por que ela previa algo do tipo.

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Um salto temporal nos mostra a conclusão de sua história, um retorno, fantasmas do passado e uma nova perspectiva nos levam a resolução do mistério, totalmente telegrafado é verdade, mas com uma motivação inesperada e que contribuí para a crítica implícita no seu desenrolar. Crítica que já foi vista em clássicos como Beleza Americana, onde a instituição familiar falida tenta se sustentar em aparências e acaba ruindo mais rápido.

 

A experiência de Araki com o cinema independente dá as caras no aspecto técnico também, ao garantir uma fotografia que vai de acordo com a situação, mas que peca ao tentar fazer uma metáfora visual com o título e acaba entregando a surpresa. A trilha sonora foi muito bem escolhida e está muito bem encaixada, mesmo que discretamente.

 

Mas os grandes destaques de White bird in a Blizzard são as atuações do inspirado trio de protagonistas, mesmo que Thomas Jane, Angela Bassett, Shiloh Fernandez e Gabourey Sidibe não comprometam. Eva Green está incrível (é a Eva Green, né!?), na pele da perturbada esposa enlouquecida pela frustração. Chris Meloni, recentemente visto na injustiçada série Surviving Jack, está surpreendente, contido e convincente no papel do pai de família apático e conformado. E Shailene Woodley mostra que é uma das mais promissoras atrizes do momento, e basta ela pegar um filme de maior porte para fisgar uma indicaçãozinha ao Oscar.

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Enfim, White Bird in a Blizzard não é o drama mais original do mundo, além de seu roteiro ser um pouco raso, mas a sua execução competente, boas atuações, final surpreendente e crítica afiada aumentam exponencialmente sua relevância como obra.

 

Nota: 7,0

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