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Já repeti uma centena de vezes por aqui sobre o apreço que tenho com filmes-desastre, dos mais intensos como O Impossível, aos mais genéricos como Terremoto ou O Dia depois de amanhã. O gênero é meu guilty pleasure indiscutivelmente, então é sempre bom quando encontro um exemplar tão bem realizado do gênero, ainda mais vindo de um país inesperado.

O longa acompanha o geólogo Kristian (Kristoffer Joner), que trabalha no centro de monitoramento e alerta do fiorde de Geiranger, na Noruega. Poucos dias antes de se mudar do local, ele percebe que algo está errado e que uma das montanhas ao redor corre o risco de ceder, causando uma onda de mais de 80 metros, capaz de afogar o vilarejo em plena alta temporada turística. Agora ele tem pouco tempo para descobrir do que se trata, além de salvar sua família e toda sua cidade.

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Essa sinopse dá a ideia de se tratar de um filme convencional, e de fato ele é. Também segue vários pontos da cartilha hollywoodiana de filmes-desastre, porém, além de transportar o problema para as lindíssimas paisagens norueguesas, ele trabalha com competência até os aspectos mais clichês desse gênero, como o drama e os desentendimentos familiares, que são o foco por aqui. Também é interessante fugir dos “americanismos” excessivos que permeiam essas produções. Outro ponto extremamente positivo é a qualidade dos efeitos especiais, respeitando os limites orçamentários da produção, mas muito bem feitos. A tensão criada pela onda, além dos momentos claustrofóbicos em um abrigo subterrâneo conferem um valor de imersão muito grande ao filme.

Nem tudo são méritos é verdade, o personagem adolescente, como de costume, é excessivamente irritante, apesar de ser dele um dos momentos mais agoniantes do longa. Existem passagens que testam um pouco a suspensão de descrença e afetam a verossimilhança do roteiro, especialmente dois envolvendo o mesmo personagem sobrevivendo a situações improváveis. Nada que prejudique muito o conjunto da obra, mas é impossível não soltar um “pera aí, como assim ele tá vivo?”.

Enfim, The Wave não faz jus a sua escolha para representar a Noruega no Oscar, mas isso não significa que não é um bom filme. É um filme-desastre típico, mas que graças a ciência de sua proposta, consegue atingir um resultado incrivelmente satisfatório.

Nota: 7,5

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