Crítica: The Voices | Nunca escute os conselhos de seu gato

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The Voices Movie

Não é fácil acertar em comédias de humor negro, extrair comédia da tragédia é algo arriscado e que nem sempre dá certo, pois o equilíbrio entre o tom da obra e a premissa tem que ser preciso. Foi isso que prejudicou o filme ‘Sem dor, sem Ganho’, por exemplo, o absurdo da premissa e a forma com que ela foi retratada não foram condizentes e o caldo então desandou. ‘The Voices’ quase se perde pelo mesmo caminho, mas a qualidade da realizadora teve seu peso e fez com que o filme terminasse em uma média extremamente positiva.

Jerry (Ryan Reynolds) é um cara pacato de uma cidadezinha interiorana, meio ignorado por seus colegas de trabalho e por sua paixonite, Fiona (Gemma Arterton). Percebemos desde o inicio que ele não é uma pessoa cem por cento normal, principalmente nas consultas com sua psiquiatra e nas constantes vezes em que ele fala com seus animais de estimação. Não me entendam mal, não há nada de muito errado em conversar com seus bichinhos, o problema é quando eles respondem de volta.

Nessa pegada meio ‘Dr. Dolittle’ vemos Jerry tentando escolher entre os conselhos dados por seu cachorro, Bosco, e seu gato Sr. Whiskers (ambas as vozes feitas por Reynolds), que tentam o ajudar a decidir entre ser “um bom garoto” ou um serial killer (não preciso dizer quem sugere o que, correto?). Uma premissa esquisitinha, mas até certo ponto bem simples, que se alia a uma execução bastante inspirada para se tornar um filme morbidamente divertido.

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Ryan Reynolds é um dos pontos fortes do longa, seu trabalho de criação de personagem é notável, conciliando muito bem os trejeitos com a postura, o tom de voz e principalmente o olhar de Jerry, criando uma persona adorável, porém assustadora. Destaque para seu trabalho de dublagem dos pets, que mesmo que tenha sido feito com retoques digitais, não perde seu valor. Anna Kendrick faz seu papel de Anna Kendrick habitual, aquela pessoinha que de tão fofinha chega a ser irritante. Gemma Arterton não faz nada mais além de ser linda nesse filme, sua personagem nem tem tanta importância quanto parecia que teria.

Visualmente caprichado, com cores muito “chamativas” e uma fotografia excepcional, o filme usa muito da linguagem gráfica para definir o que é real na narrativa. É bem verdade que, como eu disse no inicio, o roteiro acaba escorregando um pouco quando a trama fica sombria demais para o clima pré-estabelecido, mas ele costuma se recuperar.

Enfim, ‘The Voices’ é um filme estranho, com um humor negro bastante sombrio apesar da pegada “fofinha” que ele demonstra no começo. Que muda de direção e de gênero várias vezes durante seus 103min de duração, a última cena dá uma quebrada forte no clima do filme e acaba deslocando a ótima sequência de créditos finais. Enfim, um longa esquisitíssimo que dificilmente agradará todo mundo, mas que com certeza merece ser visto.

 Nota: 7,5

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