970

Passo a passo. É assim que M. Night Shyamalan está reestruturando sua carreira. 16 anos depois de ser catapultado ao topo do mundo pelo sucesso de ‘O Sexto Sentido’, o cineasta parece ter se acertado com as próprias ideias e estar disposto a subir os degraus do prestigio devagar, depois de ter despencado de lá com seus últimos lançamentos. Não, ‘A Visita’ não é o retorno triunfal do diretor aos áureos tempos, mas pode ser visto como o sinal de que ele ainda tem coisas boas pra nos oferecer.

Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould), são dois irmãos de 15 e 13 anos, respectivamente, que vivem apenas com a mãe desde que o pai os abandonou há alguns anos. Eles vão passar uma semana na casa dos avós maternos, que nunca conheceram, já que a mãe fugiu de casa e nunca mais voltou. Becca é uma postulante a cineasta, e resolve documentar essa visita que vai ficando cada vez mais estranha a medida que seus avós, dois simpáticos velhinhos, começam a agir de forma completamente bizarra. Bizarro. Talvez essa palavra defina bem esse filme, mas de um jeito bom. A quantidade de sensações que a obra sabe trabalhar, a maneira como a história transcorre, as situações pelas quais os personagens passam, são bizarras, mas de um jeito bom. Mesmo trabalhando com a saturada linguagem found footage, mesmo contrariando as expectativas de quem assiste, o resultado é bizarramente agradável.

maxresdefault (1)

Não é um filme de terror, como o trailer vendia, está mais para um suspense com altas doses de humor. Isso porque Shyamalan brinca com o terror, desde a escolha da linguagem, até a maneira como ele trabalha os sustos ou os movimentos corporais esquisitos que um dos personagens realiza. E isso faz o humor do filme funcionar, pois ele é auto-referencial, e faz com que o espectador não saiba o que virá a seguir. Existe seriedade aqui, é claro, momentos de pura tensão e suspense psicológico, como as cenas que envolvem o forno da cozinha, ou as entrevistas realizadas pela jovem documentarista.

O elenco é muito bom, tanto os velhinhos assustadores, quanto as crianças. Principalmente Ed Oxenbould, que dá vida ao melhor personagem do filme. Tyler é cativante e tem ótimas sacadas, como a de substituir palavrões pelo nome de cantoras pop. É bom ver um filme que sabe usar seus personagens infantis, afinal, já que na maioria dos casos as crianças se tornam um grande incomodo.

Temos algumas das marcas registradas de Shyamalan aqui também, o tom alegórico de reconciliação e perdão familiar é um pouco óbvio, é verdade, mas o diretor compensa ao brincar com a grandiosidade de seus twists passados, oferecendo uma conclusão muito bem conduzida. ‘A Visita’ é um ótimo entretenimento, cria tensão, faz rir e dá esperanças, de que aquele velho Shyamalan pode estar voltando a vida.

Nota: 7,5

Veja o trailer:

0 Total Views 0 Views Today