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Há pouco tempo atrás nos deparamos com um fenômeno de popularidade na internet: Kung Fury, um curta metragem realizado por meio de financiamento coletivo que era uma ode a cultura pop dos anos 80. Seus filmes, suas músicas, seu estilo, praticamente uma década de produções sintetizadas em uma única obra. Até o David Hasselhoff estava lá. Genial. Agora temos ‘Turbo Kid’, um longa dirigido por François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell, que tem uma premissa diferente, mas é tão referencial a essa época quanto ‘Kung Fury’. Igualmente excelente, até mais, eu diria.

Em um arruinado mundo pós-apocalíptico, o vilão Zeus (Michael Ironside) detém o poder sobre a escassa distribuição de água do local. O órfão Kid (Munro Chambers), sobrevive pelo deserto procurando tesouros que restaram da civilização para trocar por água e comida.  Nessas aventuras ele conhece Apple (Laurence Leboeuf), que se torna sua única amiga, até o momento em que ela á sequestrada pelos capangas de Zeus. Agora Kid, munido da roupa de Turbo Rider, seu super herói favorito, lutará contra tudo e contra todos para resgatar a garota.

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Tudo em ‘Turbo Kid’ é oitentista. Desde sua tresloucada premissa, até sua colocação no tempo diegético. O futuro pós-apocalíptico da trama se passa em 1997, pra se ter uma ideia. Curiosamente, 1997 é o futuro longínquo de um clássico dos anos 80: ‘Fuga de Nova York’, dirigido por John Carpenter e estrelado por Kurt “Snake Plissken” Russel. Pode ser coincidência, mas me parece uma homenagem. A identidade oitentista está também na trilha sonora sintetizada, no visual dos vilões, nas frases de efeito, nas inspirações visuais, em tudo. Mas mesmo sendo absolutamente referencial, o filme guarda pra si uma originalidade. A criatividade que impede o longa de ser uma simples dose de nostalgia, para se tornar algo cativante por seus próprios méritos.

O roteiro mescla perfeitamente momentos de comédia, ação e aventura, montando as situações para que o resultado fique no limite entre homenagem e paródia, pegando o melhor de cada um dos lados, sem se resumir a nenhum deles. O longa traz a canastrice dos heróis oitentistas na figura de um cowboy de poucas palavras, e usa nada mais que bicicletinhas para realizar suas cenas de perseguição a lá Mad Max. Simplesmente genial.

É verdade que o filme tem problemas. O uso de flashbacks é bastante deslocado e a violência estilizada repleta de momentos gore, acaba ficando repetitiva. Nada que comprometa o resultado final. Não é tão paródico como ‘Kung Fury’, por isso pode agradar um pouco mais. É um filme nostálgico, divertido e gratificante. Repleto de personagens birutas que com certeza ficarão na sua memória por algum tempo. Recomendo!

Nota: 7,5

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