Crítica: The Strain – 1ª Temporada – Quem é o mestre?

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Confesso que antes da estreia de The Strain eu estava bastante indiferente a respeito do projeto, gosto bastante do trabalho de Guillermo Del Toro como cineasta, mas o fato de eu não ter lido a chamada Trilogia da Escuridão, somado com o fato de que várias emissoras tinham rejeitado a ideia do diretor, antes dela ser romanceada e o desgaste que temas vampíricos sofreram nos últimos anos, me mantiveram quase que sem expectativa nenhuma. E como é bom não criar expectativas.

 

A história começa com um estranho incidente envolvendo um boeing que acaba de pousar no aeroporto JFK, em Nova York. Ninguém consegue estabelecer comunicação com a aeronave, todas as janelas estão fechadas e as luzes estão desligadas, ninguém sabe o que está havendo lá dentro. É aí que entra o Centro de Controle de Doenças, representado pelos doutores Ephraim Goodweather (Corey Stoll) e Nora Martinez (Mía Maestro), que recebem a missão de descobrir o que aconteceu com os mais de duzentos passageiros do voo.

 

O que eles encontram é um cenário misteriosamente mórbido, e que se mostra apenas o primeiro passo de uma terrível praga que vai assolar a cidade. Ephraim e Nora se juntam a Abraham Setrakian (David Bradley), um senhor que parece ter informações importantes a respeito da infecção e de seus responsáveis, para iniciar uma guerra a fim de conter essa estranha epidemia.

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Logo no episódio piloto o show já mostra a que veio, com ritmo acelerado, mas sem atropelar acontecimentos, dosando muito bem a tensão da investigação com momentos de horror muito bem colocados. Infelizmente esse ritmo foi se tornando um problema no decorrer da temporada, mesmo com apenas 13 episódios, a trama depois do 8º ep. se tornou extremamente arrastada e por vezes monótona, problema que deve ser corrigido na já confirmada segunda temporada.

 

O elenco conta com bons nomes, mas alguns não estão sendo muito bem aproveitados, a exemplo do protagonista Corey Stoll e de sua peruca, que incomoda bem mais do que cativa, com seu ceticismo inexplicável e sua mania de querer ser o “líder” mesmo sem fazer ideia do que está enfrentando. Mía Maestro também, seus dramas pessoais não convencem e sua cara de choro que se estende por toda a série dá um pouco nos nervos. David Bradley, por sua vez, domina perfeitamente o papel do cansado caçador Setrakian.

 

Alguns dos pontos positivos estão nos “sub-chefes” Jonathan Hyde como Eldritch Palmer e Richard Sammel como Thomas Eichhorst, que ao que me parece nasceu para interpretar nazistas. Destaque também para o ótimo Kevin Durand na pele do exterminador Vasiliy Fet, que além de outras funções, aparece como ótimo alivio cômico. E também para Miguel Gómez como o hispânico Gus Elizalde, que manda tão bem no papel de bandido que chega a dar a impressão que a qualquer momento ele vai assaltar o espectador.

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Palmas também para os aspectos técnicos do show, como a fotografia, montagem e principalmente os trabalhos com maquiagem e efeitos especiais. Del Toro mais uma vez mostra sua facilidade em criar monstros, abandonado os vampiros com dentinhos e aproximando-os mais de criaturas assustadoras, que lembram os vampiros evoluídos de Blade 2 (do próprio Del Toro), mas que reservam suas interessantes particularidades. Demérito apenas para o Mestre, que parece um tanto genérico.

 

Além de tudo, a primeira temporada acaba com alguns questionamentos interessantes para o próximo ano, como o porquê do recrutamento de nosso amigo hispânico; o que exatamente é a horda de vampiros conscientes que se voltou contra o sistema e principalmente, quem é o Mestre?

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Enfim, com altos e baixos The Strain se firmou para mim como uma das séries mais promissoras da temporada, substituindo a lacuna que ficou depois que abandonei The Walking Dead. Se seguir nessa pegada, corrigindo os problemas de ritmo, caprichando mais nas cenas de ação e desenvolvendo melhor seu protagonista (como acredito que seja no livro), The Strain tem tudo para se tornar o próximo fenômeno da TV mundial.

 

Nota: 8,0

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