Crítica: Terror nos Bastidores (The Final Girls)

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É lindo quando um filme tira do próprio cinema o combustível que move sua existência. Escolhendo um gênero para subverter suas convenções, fazendo críticas, homenagens e graça com esse conjunto. Terror nos Bastidores, assim como O Segredo da Cabana, escolhe o gênero terror adolescente para trabalhar, e apesar de mirar em algo diferente, tem um resultado tão bom quanto.

Durante uma sessão especial do filme mais famoso de sua falecida mãe (Malin Akerman), uma atriz que ficou marcada pelo papel em um clássico do terror trash dos anos 80, Max (Taissa Farmiga) e seus amigos acabam presenciando um incêndio dentro da sala de cinema. Enquanto tentavam escapar, inexplicavelmente, eles vão parar dentro do filme, onde precisam se adaptar ao roteiro enquanto lutam para sobreviver aos ataques do assassino mascarado, além de encontrar um jeito de voltar para casa.

Essa ideia extremamente criativa e completamente surtada que rege o filme dirigido por Todd Straus-Schulson, que entrega um presente á toda uma geração de fãs do bom e velho horror trash, além de uma declaração de amor ao universo dos slashers oitentistas. O roteiro de M.A. Fortin e Joshua John Miller traz uma enxurrada de referências a esses filmes, com a presença dos jovens descerebrados que só pensam em sexo, o acampamento isolado, o assassino com motivações completamente genéricas, a moça virgem “fadada” a sobrevivência, tem tudo. E partindo dessas presenças ilustres o texto consegue brincar com as diferenças entre as épocas, tanto no sentido real, quanto no de abordagem cinematográfica, principalmente quando os personagens atuais lidam com a unidimensionalidade dos jovens retratados naquelas obras.

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Temos um trabalho de direção inspiradíssimo aqui, com tomadas bem boladas em ângulos interessantes, além de uma montagem muito fluída. A fotografia é excelente, com cores bem trabalhadas que casam com o ótimo entendimento da linguagem que o diretor quer utilizar. Os efeitos especiais também servem a esse exercício de linguagem, emulando o visual oitentista do filme dentro do filme. É um trabalho tecnicamente preciso, acima de tudo.

O entrosamento do elenco ajuda na hora de comprarmos a ideia, apesar dos coadjuvantes não chamarem muita a atenção, Taissa Farmiga e Malin Akerman mandam muito bem juntas, além de parecerem se divertir enquanto atuam. A trilha sonora é um show a parte, com músicas icônicas como Bette Davis Eyes e Lollipop, e um som muito familiar que anuncia a chegada do assassino (impossível não lembrar de Sexta Feira 13, Halloween e afins).

Misturando drama familiar, com terror e comédia, Terror nos Bastidores faz uma homenagem em tons de sátira, com uma metalinguagem interessante, sem se levar muito a sério, divertindo e divertindo-se com a maluquice da premissa. Uma ótima pedida.

Nota: 8,0   

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