Crítica: Stonehearst Asylum – Quem são os loucos, afinal?

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Confesso que estava bem ansioso para assistir Stonehearst Asylum, primeiro por ser baseado em um conto interessantíssimo escrito por Edgar Allan Poe, segundo pelos ótimos nomes no elenco e em terceiro pela esperança de ver o diretor Brad Anderson repetir o bom trabalho que ele realizou em O Operário. Expectativa alta nunca é um bom negócio.

 

O filme se passa em meados de 1899 e acompanha o jovem Edward Newgate (Jim Sturgess), um psiquiatra recém-formado que vai iniciar uma espécie de “estágio” no tradicional Asilo/Manicômio Stonehearst. Aos poucos ele vai percebendo que existe algo de estranho com as pessoas que comandam o local. E ao mesmo tempo em que cria certa afeição com uma das pacientes, terá que arrumar uma maneira de descobrir o que há de errado ali e tentar escapar com vida.

 

O longa acerta e erra na mesma proporção, a reconstrução de época, por exemplo, está muito bem feita. O clima de estranheza que a premissa invoca também é bem construído pelo diretor, mas é no roteiro escrito por Joe Gangemi que as coisas derrapam.

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Eu tento nunca dar spoiler nas minhas críticas, e não o farei aqui, vou apenas dizer que existem plot-twists na trama (um deles não chega a ser spoiler, afinal está na sinopse oficial), e eles não são construídos de maneira eficiente. Um deles surge muito rapidamente e quebra um mistério interessante que se formava. O outro surge de maneira mirabolante demais e também não convence.

 

Os ótimos nomes no elenco entregam atuações não mais que regulares, Brendan Gleeson, Ben Kingsley, Michael Caine, Jason Flemyng e David Thewlis trabalham meio que no automático. Kate Beckinsale (linda como sempre) faz o que pode e Jim Sturgess mantém a cara de quase-choro que povoa a maioria de suas atuações.

 

Enfim, Stonehearst Asylum tem seus momentos, levanta discussões interessantes a respeito de loucura e também mostra que antigamente os asilos, manicômios e sanatórios eram lugares assustadores, que eram habitados por pessoas marginalizadas pela sociedade, loucas ou sãs. Infelizmente o roteiro acaba soando apressado demais, culminando com uma solução mirabolante e excessivamente “feliz”, o que impede a adaptação de atingir seu imenso potencial.

 

Nota: 6,5

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