Crítica: Sétimo | Suspense genérico se salva pelas atuações

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Há quem diga que os suspenses policiais estão para o cinema argentino, como as “comédias-globais” estão para o tupiniquim. Honestamente eu torço para que essa regra se inverta, pois acredito que o suspense policial mais genérico que for produzido, ainda será melhor do que uma colagem de esquetes da Zorra Total transmitidas em tela grande.

 

Sebastian (Ricardo Darín) é um advogado bem sucedido que vê seus filhos desaparecerem debaixo de seu nariz, enquanto desciam as escadarias do prédio onde moram com a mãe. Em meio a um conturbado divórcio e nas vias de representar o caso mais importante de sua firma, ele tem que manter a cabeça no lugar para tentar lidar com toda essa gama de problemas de uma só vez.

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O grande problema de ‘Sétimo’ está no fato de o filme ser extremamente genérico, praticamente tudo que ele apresenta já foi feito anteriormente por outros filmes, desde a cena de abertura com seus planos aéreos da metrópole Buenos Aires (mas que poderia ser qualquer cidade), até seu desfecho que se dá sem o impacto necessário. Nesse decorrer até temos uma criação de mistério interessante, afinal, quem diabos levou as crianças? Zeladores, moradores e até os próprios pais são suspeitos e isso é o suficiente para despertar o interesse do espectador, mas não para vidrá-lo como um bom suspense realmente faria.

 

Além de ser um dos principais expoentes do cinema argentino para o mundo, Ricardo Darín também é um dos atores mais regulares em atividade. Eu não me lembro de ter visto qualquer filme em que sua atuação tenha deixado a desejar. E o fato de ele entregar mais um ótimo desempenho, cativa o espectador. Sua angústia é palpável e o desespero que se instaura no seu personagem é muito bem construído. Sua colega Belén Rueda, que vive sua ex-esposa, também está muito bem e divide com ele o peso do filme.

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A cinematografia está relativamente boa, e o diretor Patxi Amézcua não perde tempo com cenas desnecessárias ao desenvolvimento da trama. A trilha sonora incomoda um pouco, o uso constante de uma guitarrinha acaba dando um ar quase novelesco ao filme, e não tem nem um pouco de peso.

 

Enfim, ‘Sétimo’ não está nem perto dos grandes filmes portenhos dos últimos anos, seu final é previsível e sem impacto, mas seu eficiente e carismático protagonista segura a onda e impede o filme de se tornar uma completa perda de tempo.

 

Nota: 6,0

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