Crítica: Self/Less (Eternal – 2015)

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Em outra época fui um grande detrator do trabalho de Ryan Reynolds. Crítico ferrenho de suas atuações terríveis em filmes mais terríveis ainda. Mas confesso que isso tem mudado, recentemente ele retomou a carreira e tem dado rumos diferentes para ela. Seus últimos trabalhos tem mostrado que ele tem potencial sim, só que este ficou escondido por vários anos.

Damian (Ben Kingsley), é um um velho empresário multimilionário que vê sua vida chegando ao fim graças a um terrível câncer que tem se alastrado. Inconformado com a ideia de morrer, ele resolve passar por um processo médico radical que irá transferir sua consciência para um corpo mais jovem. Depois do processo, porém, ele começa a desconfiar dos métodos utilizados pelo Dr. Albright (Matthew Goode), o que coloca ele e pessoas inocentes na mira dessa misteriosa organização.

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É bom que fique claro, qualquer implicação ou questionamento filosófico que a premissa pode evocar, sobre o desejo de imortalidade, sobre a ética do processo de transferência de consciência, tudo fica a cargo da imaginação do espectador. O roteiro não se preocupa com isso. Na verdade, o roteiro não se preocupa com quase nada. O andamento da narrativa é o mais genérico possível, sem inovação, previsível e com vários clichês.

O diretor Tarsem Singh vem trabalhando no automático há algum tempo, é notável uma preguiça por parte dele aqui. A apatia de seu trabalho deixa o filme sem identidade própria, mesmo as cenas de ação, que acabam por virar o principal ponto do longa, não são tão inspiradas assim. Resta ao protagonista, Reynolds, tentar levar o filme nas costas. E ele se esforça e vai bem, consegue dar dramaticidade ao seu personagem e diferenciar seus dois momentos. Além de ter certa vocação pra astro de ação. Infelizmente não é o suficiente, o resto do elenco demonstra a mesma falta de vontade do diretor.

Enfim, ‘Self/Less’ é um filme de ação com pano de fundo sci-fi absolutamente genérico. Pode divertir em momentos de pura despretensão do público, mas some da mente em menos de quinze minutos. Os poucos méritos ficam com Ryan Reynolds, que pareceu o único a tentar fazer o filme dar certo. Um imenso potencial desperdiçado.

Nota: 5,0

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  • Wladmir Lobo

    Assisti esse filme hj no netflix, me surpreendi, sempre achei o reynolds fraco, mas de uns 4 anos pra cá, ja vi varios filmes bons dele.