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Nem todas as pessoas tem estrutura para suportar um mundo pós-colapso. Nem todas as pessoas terão estrutura para suportar ‘The Rover’. Mas aquelas que conseguirem sobreviver a ambos podem ser recompensadas ao final da jornada. Ou não.

 

Em meio a uma paisagem desértica e desolada em algum lugar da Austrália, um homem tem seu carro roubado por uma gangue de criminosos em fuga. Há dez anos um colapso quebrou a economia e o mundo agora parece ser um lugar sem lei, onde cada pessoa faz o que for preciso para continuar vivo. Com o irmão de um dos ladrões a tiracolo, esse homem não medirá esforços para encontrar e recuperar seu veículo.

 

Dizer que um filme parece durar muito mais do que ele de fato dura, raramente será uma forma de elogiá-lo, e aqui também não é. A trama de The Rover é mínima e estender seu desenrolar por 1h40min torna a experiência extremamente maçante e incomoda. Não fosse o fato de isso parecer proposital, seria difícil não classificá-lo como uma completa perda de tempo.

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O diretor David Michôd (do ótimo ‘Reino Animal’) entrega um filme que caminha tanto entre gêneros que é até difícil cravar a qual ele pertence. Com um quê de Western, pitadas de Road Movie, um toque de filme pós-apocalíptico e até um dedinho de humor negro e filmes de vingança, temos algo que dificilmente agradará a todo tipo de público.

 

Seguimos os protagonistas Eric (Guy Pearce) e Rey (Robert Pattinson) nessa jornada pelas áridas estradas australianas. O primeiro é um homem furioso, com um passado negro, poucas palavras e atitudes que mostram que sua moralidade foi pro saco junto com a economia. O segundo é o irmão que fora deixado para trás na fuga, ele possui algum atraso mental e suas motivações vão se moldando com o decorrer da viagem

 

Ambos são interpretados brilhantemente, Guy Pearce deixa de lado a canastrice que tem adotado e entrega uma atuação contida, mas cheia de nuances intensas e repleta de ódio. Pattinson, quem diria, passa longe da mediocridade de suas atuações anteriores, aqui ele encarna de maneira voraz um homem cheio de tiques e com um sotaque caipira, que em nenhum momento soa forçado. E os dois criam uma dinâmica interessante, semelhante a uma espécie de síndrome de Estocolmo.

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A cinematografia é bem realizada, com paisagens secas e um tom de sépia que condiz com a ambientação e o estado em que o mundo se encontra, deixando um ar de Mad Max nas cenas. A trilha sonora é totalmente maluca, em certos momentos ela incomoda propositalmente com sons industriais, tão maquinais que chegam a doer. Mas também temos trechos cantados de maneira dramática e até uma música pop que inicialmente parece deslocada, mas que ganha certo simbolismo no decorrer da fita.

 

O mistério que rege a viagem é o porquê de Eric querer tanto esse carro, e a resolução tem um significado alegórico interessante, mas não evita aquela reação: “putz, sério que era só por isso?” Enfim, The Rover incomoda propositalmente o espectador com sua trama desenvolvida a passos de tartaruga, e trata das coisas que mantém no homem um pouco de civilidade quando o mundo sai dos trilhos. Mesmo sendo um pouco pretensioso e bastante cansativo, ainda vale o tempo investido, desde que o espectador saiba onde está se metendo.

 

Nota: 7,0

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Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

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