Crítica: Rota da Morte (Dead End – 2003)

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Rota da Morte é um dos poucos filmes que eu lembro de ter visto na companhia do meu pai. E foi no ano de seu lançamento em home vídeo, 2003, quando eu tinha só dez anos de idade e muito, muito medo de filmes de terror. Hoje, alguns anos depois do meu cagaço ter se transformado em paixão, descobri que ele está no catálogo do Netflix e resolvi revisitar essa obra que, mesmo que de forma fragmentada e pouco conclusiva, ficou na minha mente desde então.

É véspera de Natal e a família Harrington está atravessando uma estrada escura rumo à casa de seus parentes para curtir a ceia e as festividades. Apesar da data, o humor dos integrantes da família não é dos melhores. Os pais Frank (Ray Wise) e Laura (Lin Shaye), estão irritados com o atraso. O filho mais novo, Richard (Mick Cain), é um aborrecente típico que fica encrencando com seu cunhado Brad (William Rosenfeld), que pretende fazer um importante pedido a sua namorada, Marion (Alexandra Holden). Para aliviar o atraso, Frank resolve sair da estrada principal e pegar um atalho. Mas esse atalho é deserto e parece mais longo do que deveria, só que esse é só o principio dos problemas que essa família vai enfrentar.

Os franceses Jean-Baptiste Andrea e Fabrice Canepa, responsáveis tanto pela direção, quanto pelo roteiro do longa, conseguiram construir uma atmosfera incrível nesse terror de baixo orçamento. Fazendo o melhor uso possível dos arquétipos comuns em obras do gênero, tanto em termos de personagem, quanto de símbolos, como a estrada deserta em si, o carro preto misterioso ou a mulher de vestido branco no acostamento. Todos esses elementos se aliam ao roteiro e ao clima para dos dar a sensação de estar assistindo a um episódio estendido de ‘Além da Imaginação’.

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O filme se passa quase que inteiramente dentro de um carro em movimento, com uma ou outra variação, algo que poderia torná-lo repetitivo não fosse a maneira que os cineastas lidam com isso. A interação entre a família e o desenrolar dos fatos tornam essa viagem claustrofóbica e apreensiva. Com isso o roteiro também traz a tona a desconstrução da família padrão americana. Discussões, brigas, alfinetadas e segredos vem a tona de maneira cada vez mais efusiva, á medida que a situação faz os nervos aflorarem.

O elenco não é lá grandes coisas, mas também não compromete. Ray Wise e Lyn shaye são experientes o suficiente para tornar seus personagens palpáveis, mesmo com uma certa canastrice por parte do ator. O filme tem uma edição muito boa e escolhas visuais interessantes, que reforçam uma sensação de “sobrenaturalidade” e transformam-o quase na transposição de uma lenda urbana para a tela. Temos alguns momentos propositalmente absurdos, uma pitada bem dosada de gore e uma insanidade assombrosa em alguns momentos.

Rota da Morte é um filmaço. Se guia por um mistério interessante e logo depois de nos fornecer a resposta, já no desfecho, acaba por subvertê-la em uma cena de alguns segundos, o que deixa de novo o espectador com a pulga atrás da orelha para além do fim dos créditos. Tem uma aura de horror clássico que está em falta hoje em dia. Corram para o Netflix.

Nota: 8,0

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