Crítica: The Riot Club (Posh – 2014)

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Não é de hoje que se questiona a postura e as atitudes das pessoas diante de qualquer tipo de poder que lhes é conferido. Abraham Lincoln, Maquiável, além de várias outras personalidades já se depararam com a constatação de que não há nada melhor do que o poder, para fazer com que os homens deixem transparecer quem eles realmente são. Essa verdade não tão desejável, se tornou ainda pior quando a sociedade começou a confundir poder com dinheiro.

A trama acompanha dois calouros na conceituada Universidade de Oxford, Alistair Ryle (Sam Claflin) e Miles Richards (Max Irons), que acabam por ser recrutados por uma fraternidade chamada ‘The riot club’. Ela é composta por jovens da alta sociedade britânica, filhos de gente influente, que com o futuro praticamente garantido ocupam seu tempo com jantares regados a álcool e sexo. Isso até suas atitudes inconsequentes afetarem diretamente a vida de outras pessoas, o que coloca em risco suas reputações.

Apesar de se passar em meio a burguesia britânica, a mensagem que o filme nos trás de maneira bastante crua é universal. Quantos casos de jovens inconsequentes que passaram impunes por crimes, graças a seu prestigio financeiro nós não conhecemos? Prestigio esse que, na esmagadora maioria das vezes, veio sem nenhum merecimento. O roteiro nos mostra de maneira bastante interessante a “motivação” de alguns personagens. Alguns inflamados por uma pressão familiar, que exige sucesso. Outros por simples preconceito e sensação de superioridade. E o que talvez cometa o crime mais grave, o da omissão, da conivência. O personagem vivido por Max Irons não concorda com as atitudes do seu grupinho, mas numa mistura de vontade de ser aceito com medo das consequências, ele acaba por não reagir.

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O elenco que você pode ver nos cartazes chama a atenção pela beleza, mas tem muito mais a oferecer. Os rapazes estão entrosados e sabem dar o ar de “aristocracia rebelde” que seus personagens pedem. Destaque para Sam Claflin, é só o segundo filme que eu vejo com esse ator e de novo ele manda muito bem. Seu personagem é desprezível graças ao bom texto e ao bom desempenho que ele tem. O elenco feminino conta com Holly Grainger, Jessica Brown Findlay e Natalie Dormer, que fazem o possível com o pouco material que possuem. Suas personagens são rasas, eu diria que apenas a personagem de Holly Grainger é realmente relevante para a história, aliás.

Apesar de suas inegáveis qualidades, sinto que é um filme que pode incomodar muita gente. Sua estrutura é um pouco diferente, a primeira metade é preenchida com vários momentos de apresentação, recrutamento e estabelecimento dos personagens, que se estendem por alguns dias. A segunda metade se passa inteiramente em apenas um cenário durante um jantar. Isso acaba sufocando o espectador, e ainda que eu ache que isso foi proposital, pode tirar algumas pessoas do sério.

Enfim, ‘The Riot Club’ é um filme que incomoda de propósito. Sem muitas sutilezas ele nos mostra uma realidade terrível, falando sobre poder, merecimento, hipocrisia, violência e impunidade. É bem realizado e conta com um ótimo elenco. É daqueles filmes que nos deixam com um gosto amargo na boca.

Nota: 8,0

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