rebirth

Kyle é o americano médio (mas sua persona é universal). Ele trabalha em um escritório, malha, tem uma bela esposa e uma filha adorável. Sua rotina é quebrada quando um antigo amigo da faculdade aparece convidando-o para uma experiência única. Uma espécie de retiro espiritual-motivacional que o fará colocar sua vida em perspectiva e praticamente “renascer”. Mesmo sem saber muito do que se trata, Kyle aceita e parte para uma experiência que realmente transformará sua vida.

Todo mundo deseja ter sucesso na vida. Não é uma afirmação das mais arriscadas. Sucesso é praticamente uma demanda universal. O que não é universal é o que é o sucesso. Seu conceito, sua essência. Todo mundo sabe que quer, mas a maioria não saberia explicar o que é. Por quê? Talvez porque assim como a felicidade, o conceito de sucesso é interno, pessoal e intransferível. E talvez, também um pouco como a felicidade, porque somos confundidos pelo bombardeio de conceitos pré-definidos do que seria sucesso, do que seria uma vida desejável. É uma lógica simples, quanto mais opções forem mostradas, maiores as chances de você escolher a errada.

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E o segredo é esse. Você sempre escolhera a errada. Ou pelo menos é o que te farão acreditar. Se você tiver um bom emprego, uma família bem estruturada e uma rotina, por mais que se sinta á vontade com isso, te farão acreditar que você não é realmente feliz. Surgirão dezenas de exemplos de “larguei tudo e recomecei, fui viajar o mundo e encontrei a felicidade”. E o inverso também é verdadeiro. Se levar uma vida um pouco fora dos padrões é o que você escolheu para si, não faltarão casos de jovens empreendedores que alcançaram seu primeiro milhão aos 20 anos e são a personificação do sucesso. Aquela incerteza. A comparação. É o que causa a insatisfação e que faz milhares de pessoas acreditarem em fórmulas do sucesso. E isso tudo alimenta um mercado gigantesco, que cria um problema para vender uma solução. Um mercado que vai de empresas de marketing multinível até o universo das palestras motivacionais, do empreendedorismo de palanque até clubes, cultos e seitas.

É sobre isso que fala Rebirth, longa original da Netflix que entrou no catálogo há algumas semanas. Embalado como um suspense psicológico de baixo orçamento, o filme levanta questões que são bem mais interessantes do que o próprio projeto escrito e dirigido por Karl Mueller. Em uma narrativa meio atrapalhada, o roteiro consegue pincelar alguns temas complexos, como a relação do consumo e do sexo com os ideais de sucesso e felicidade, e como o mundo atual é cheio de armadilhas pautadas pela força da sugestão e das dúvidas. As perguntas que são respondidas com outras perguntas passam bem essa mensagem, de como colocar uma pulga atrás da orelha de alguém é o suficiente para deixa-lo suscetível a suas próprias respostas.

Como filme, Rebirth tem alguns problemas. O andamento é um pouco estranho e o elenco é assustadoramente canastrão. Em alguns momentos parece que a história não tem muito pra onde ir e você se sente tão enrolado quanto o protagonista. Mas a força de Rebirth reside em sua mensagem, apesar do trailer e da própria sinopse venderem um thriller escapista comum, Rebirth não é o tipo de filme que se assiste no piloto automático. Se você o fizer, pode ficar bem desapontado. Assim como Circle, é um longa que apesar de seus problemas, tem bastante relevância em seu subtexto e por isso merece atenção.

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  • Vanessa

    PODREEEEE filme mais horroroso dos ultimos tempos. é agonizante assistir esse filme