Há 80 anos, o engenheiro elétrico Semyon Davidovich Kirlian descobriu, por acidente, um método de capturar fotograficamente a aura das pessoas, usando uma placa fotográfica conectada a certa voltagem de energia elétrica, projetando assim uma luminescência curiosa no contorno de seus corpos.  Bom, pelo menos essa é a forma que alguns entusiastas da parapsicologia e do esoterismo encaram o fenômeno.

Padre Quevedo diria enfaticamente que isso non ecziste, que o contorno luminoso capturado pelo fotograma de Kirlian nada mais é do que a ionização dos gases e vapores exalados pelo corpo, através dos poros da pele. Nesse caso não importa muito se você é adepto do viés cientifico ou místico, basta entender que o fenômeno capturado pelo fotograma existe e rodeia todos os corpos e objetos, ainda que não possamos vê-lo.

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La Frecuencia Kirlian é uma daquelas pérolas que se escondem nos confins do catálogo do Netflix. Uma série animada com episódios de aproximadamente dez minutos, criada por Cristian Ponce. Cada episódio traz um conto de terror independente, mantendo apenas o cenário em comum: Um não-lugar, fora dos mapas e registros, quase inalcançável por pessoas comuns.

Num programa de rádio que vai ao ar todas as noites, a noite toda, um apresentador recebe ligações e conta histórias sombrias que acontecem na cidade de Kirlian, remota e desconhecida em algum lugar da Argentina. Quem é o apresentador ou os personagens das histórias não importa muito, sejam moradores ou visitantes do lugarejo, afinal, sequer conseguimos ver seus rostos. Apenas contornos escuros e olhos brilhantes.

A Cidade de Kirlian é a protagonista aqui, uma protagonista estranha e perturbadora. A gente nunca sabe ao certo o que envolve essa cidade e nem se os cidadãos têm consciência do que acontece em suas ruas, praças e casas. Alguns parecem ser pegos de surpresa pelas loucuras, outros soam bastante familiarizados com o horror que está à espreita. Sabemos apenas que forasteiros não são bem-vindos.

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Tem ecos de Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft e Stephen King (o último citado nominalmente) e uma técnica de animação bastante característica, concentrada em sombras, contraste e cores escuras, lembrando um pouco o estilo utilizado no conto das Relíquias da Morte, em Harry Potter, mas com uma pegada mais neon, emulando o próprio efeito das fotografias Kirlian que eu citei no início.

Como o narrador é um locutor de rádio, a narrativa lembra um pouco esse estilo, se assemelhando também a alguns podcasts no formato story telling, principalmente Welcome to Night Vale, um dos mais populares e cultuados podcasts da atualidade. Nesse contexto, fica o elogio ao elenco de dubladores brasileiros que trabalhou na adaptação, não sei dizer se por algum bug, mas a versão com áudio original não estava disponível na Netflix.

Se você é um adepto das narrativas curtas de terror, gosta de séries como Além da Imaginação, Visões Noturnas ou Contos da Cripta, A Frequência Kirlian é uma boa escolha. Um esforço criativo bem original e carismático.

Se você é assinante Netflix, pode assistir A Frequência Kirlian clicando aqui.

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Avaliação.
Bom

Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

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