Crítica: The Returned | E os zumbis não são o maior problema

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Desde os anos 60 e 70 que George Romero usava seus amados zumbis como mecanismo para construir metáforas e críticas sociais, não é de hoje, portanto, que esse tipo de estratégia é muito bem explorada no cinema. E apesar de partir de uma ideia muito boa, ‘The Returned’ não consegue alcançar o mesmo resultado.

 

A trama se passa alguns anos após uma epidemia zumbi matar milhões de pessoas no mundo. Depois de muita pesquisa um tratamento foi descoberto, e graças a ele as pessoas que forem infectadas podem levar uma vida normal desde que sigam a risca o tratamento. Esses infectados são chamados de Retornados. O mundo (entenda-se, EUA), porém, vive momentos de tensão com o surgimento de grupos anti-retornados e com a probabilidade de esgotamento da proteína que os mantém “sãos”. É sob essas circunstâncias que a Dra. Kate (Emily Hampshire) tenta salvar seu namorado que é um retornado.

 

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A premissa é interessante e evoca vários sub-textos, mas que nunca chegam a ser decentemente explorados, apenas pincelando a questão do preconceito e também do desespero que se instaura na sociedade nos momentos de tragédia anunciada. Trazendo uma vaga lembrança de ‘Ensaio sobre a cegueira’, o filme se mostra como um drama essencialmente humano, mas ao fazê-lo, perde a força quando percebemos que todas as escolhas da narrativa já foram usadas em outros filmes e de maneira mais eficiente.

 

O roteiro usa de alguns mecanismos bem questionáveis para dar sequência a trama, como a protagonista sair falando pra quem quiser ouvir, algo que certamente deveria ser mantido em sigilo. Sem falar que da metade para o fim a personagem perde qualquer noção do que está acontecendo a sua volta, de maneira que parece que todo mundo prevê o que vai acontecer, menos ela. Isso também prejudica a ideia final, que deveria ser bem mais impactante do que foi.

 

Com um elenco ok e uma produção, até certo ponto, caprichada, The Returned é um filme de zumbis praticamente sem zumbis, que parte de uma ideia original e bastante interessante, mas se perde na execução e falha em detalhes cruciais. Mesmo assim, pra quem gosta do genero e está cansado da mesmice que assola a maioria dos filmes de zumbi, é uma boa pedida.

Nota: 6,5

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