Crítica: Renascida do Inferno (The Lazarus Effect)

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Não há problemas na existência de filmes ruins, há problema quando uma ideia aparentemente muito boa é desperdiçada em um filme ruim. É exatamente o caso desse ‘Renascida do Inferno’.

A trama acompanha um grupo de cientistas liderado por Frank (Mark Duplass) e Zoe (Olivia Wilde), que trabalham em uma pesquisa para descobrir como recuperar pessoas de um coma profundo. Com a ajuda de Clay (Evan Peters), Niko (Donald Glover) e Eva (Sarah Bolger), eles acabam descobrindo sem querer uma formula capaz de trazer animais e, supostamente, pessoas de volta a vida. Quando tudo parece bem, uma manobra corporativa e um acidente com Zoe colocam toda a pesquisa, e a vida dos cientistas em risco.

A discussão acerca de ciência versus religião trazida pelo título original – O efeito Lázaro – e pelos minutos iniciais do filme, não se sustenta graças ao texto didático e cheio de incongruências que nos é apresentado. As implicações científicas e espirituais são passadas em diálogos rasos e bem pouco inspirados, por um elenco que aparentemente não acreditava no que estava fazendo. A maneira como a equipe reage a fantástica descoberta dá uma noção de que nem os atores estavam levando o filme a sério.

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Nem mesmo os jump scares são bem feitos aqui, os poucos momentos que seriam assustadores, são telegrafados demais para funcionarem. Sem falar na repetição de seus próprios artifícios, animais aparentemente mortos que pulam de repente, três vezes pelo menos. Pessoas que chegam de mansinho para assustar a outra, pelo menos duas. Passa e muito dos limites da falta de criatividade.

Pra não dizer que o filme só tem defeitos, Olivia Wilde se salva em meio ao elenco apático. Ela convence como a jovem e apaixonada cientista religiosa, e não decepciona como a aberração psicótica que se torna no segundo ato. A sensação de confinamento escolhida para driblar a falta de orçamento também funciona em prol da narrativa, e não soa como forçação de barra.

No fim das contas, pouca coisa vale a pena em ‘Renascida do Inferno’, a inicialmente atrativa discussão ‘fé vs ciência’, se transforma em uma somatória desastrada das duas, onde o roteiro se torna incapaz de responder satisfatoriamente a principal questão do longa. Sem falar que o diretor David Gelb se rende a “espetacularização” dos vilões de filme de terror, onde o antagonista se torna praticamente um X-Men, bem ao estilo do remake de ‘Carrie, a estranha’. Dispensável.

 

Nota: 3,5

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