Crítica: The Purge: Anarchy | Boa ideia nas mãos erradas

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Desde o inicio da divulgação do primeiro The Purge (Uma Noite de Crime), eu achei o ponto de partida do filme fantástico. Quantas possibilidades não poderiam ser abordadas sob essa premissa. Mas um conjunto de fatores fez com que eu não visse o filme na época de lançamento, e a péssima recepção que ele teve com público e crítica fez com que eu desanimasse de vez.

 

No entanto, resolvi dar uma chance para sua continuação, também escrita e dirigida por James DeMonaco, dessa vez protagonizada por Frank Grillo ao invés de Ethan Hawke, e ao fim da projeção a sensação que fica é que a premissa de The Purge é uma boa ideia tida pela pessoa errada.

 

Na noite em que a violência é legalizada e todos os crimes são permitidos, um grupo de estranhos formado por um homem em busca de vingança, uma mãe e sua filha adolescente e um casal em crise, acabam tendo que se unir para tentar sobreviver a esse expurgo, já que ambos não conseguiram encontrar abrigo.

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O maior problema em The Purge: Anarchy não está no que ele é, até por que o filme é divertido, um survivor movie bem realizado, que tem um ritmo alucinante, ação frenética e ótima pericia técnica. Os atores são competentes, Frank Grillo está muito bem e as situações vividas pelos protagonistas são verossímeis, levando em conta o mundo em que vivem. Tirando o pouco desenvolvimento dos personagens, e um furo ou outro no roteiro, a continuação de The Purge é um entretenimento perfeitamente aceitável e eficiente.

 

O problema está no que ele poderia ser, mas por escolha (ou mais provavelmente, incompetência) de seu realizador, não foi. Ele apenas pincela uma gama de situações que poderiam ser mais bem exploradas e daria uma profundidade muito maior aquela apocalíptica situação. Seria interessante abordar e/ou esclarecer quem são os ‘Novos Fundadores’, e quais as circunstâncias desse renascimento da nação.

 

O teor de crítica que essa premissa evoca se perde no desenvolvimento da trama, poderíamos ter acompanhado mais do grupo rebelde, da guerra de classes e das artimanhas e intenções governamentais com essa atitude, que vai muito além do controle da criminalidade. Ou poderíamos ter um melhor desenvolvimento da história pessoal dos personagens, criar mais empatia com eles, esclarecer motivações. Nada disso é feito, temos apenas lampejos do que poderia ter acontecido.

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The Purge sofre com a falta de um diretor que saiba o que quer, fico pensando na falta de umas metáforas e críticas sociais a lá Neil Blomkamp, com uma pitada da acidez e ultra violência de Paul Verhoeven. Seria uma mistura que combinaria com o plot dessa série, e digo série por que o terceiro filme já foi confirmado, com James DeMonaco na direção. Por ser bem abrangente, The Purge tem potencial para gerar infinitas continuações, o que daria espaço para o amadurecimento da ideia e de seu realizador. Tomara.

 

Enfim, mesmo funcionando como entretenimento puro, The Purge: Anarchy abre mão de ser memorável. Quem sabe em futuro próximo essa franquia consiga expurgar seus defeitos e se tornar tão boa quanto a premissa é.

 

Nota: 6,5

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