Crítica: Projeto Almanaque (Project Almanac)

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Michael Bay nunca decepciona seus fãs, isso é inegável. Mesmo quando ele não dirige o filme, suas marcas estão ali. O diretor Dean Israelite aparentemente tentou ir por outro caminho, mas quando Bay pisa no set as coisas explodem. E é isso que mina as pretensões de ‘Projeto Almanaque’.

A trama nos apresenta o jovem David Raskin (Jonny Weston), nerd da tecnologia que luta para conseguir uma bolsa de estudos no MIT, quando, ao revirar as coisas de seu falecido pai, encontra projetos secretos sobre a construção de uma máquina do tempo, e logo chama seus amigos para ajudar a transformar o projeto em realidade. A dinâmica da primeira meia hora de filme é interessante (provavelmente feita antes do Michael Bay chegar aos sets), conhecemos um pouco de cada personagem e de seus relacionamentos enquanto eles trabalham na construção da tal máquina. Sim, demora meia hora para a viagem de fato começar a acontecer.

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Junto com o começo dos deslocamentos temporais (provavelmente com Bay no set mandando acelerarem as coisas) começam os problemas. A escolha do found-footage como linguagem, que até então vinha sendo bem utilizada, começa a se perder nas lógicas do uso das câmeras. Como é habitual nas obras de Bay, as personagens femininas são risíveis, e não tem utilidades maiores do que embelezar a tela e parecer em roupas curtas. Os product placements também enchem a tela, com uma participação aleatória da banda Imagine Dragons para coroar o trabalho de marketing.

É interessante ver que o roteiro prefere focar em banalidades adolescentes para atingir seu público, ninguém quer voltar no tempo e matar Hitler, os personagens se contentam em ir ao Lolapalooza. Isso é bacana, divertido, mas as implicações que as mudanças no passado geram fogem muito da proporção, e isso atrapalha bastante o desenvolvimento da narrativa. O subtexto romântico, que surge do nada, se transforma em fio condutor das ações do protagonista, e isso não convence em momento nenhum.

No fim das contas ‘Projeto Almanaque’ se mostra um filme mediano, que opta por não ser nada de revolucionário e prefere se ater a “legalzices teen”. Em uma mistura genérica de ‘Projeto X’, com ‘Efeito Borboleta’ e ‘Poder sem Limites’, com cobertura de Michael Bay, até entretêm, mas é totalmente esquecível.

 

Nota: 6,0 

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