Crítica: Prelúdio (Preludio – 2010)

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Prelúdio é uma produção mexicana bem pequena, minimalista e quase experimental do ano de 2010. O filme dirigido por Eduardo Lucatero se passa integralmente na varanda de um apartamento, onde dois desconhecidos, uma chef e um músico, se encontram e começam uma despretensiosa conversa enquanto aguardam o inicio de uma festa, para qual ambos chegaram cedo demais.

Com uma única tomada feita em um único cenário, o cineasta conseguiu realizar um trabalho bastante peculiar e cativante. Primeiro pela familiaridade da situação em si, a conversa que os dois protagonistas tem não é muito diferente de qualquer conversa que você tem com alguém que acaba de conhecer, seja na casa de um amigo em comum, em uma festa ou em um bar. Eles falam sobre o que estão fazendo ali, sobre seus trabalhos, suas histórias de vida, seus relacionamentos, seus sonhos e projetos futuros. Conversas essas que equilibram momentos de absoluta franqueza, com outros mais superficiais, ambos comportamentos impulsionados pelo fato de que eles acabaram de se conhecer.

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O segundo motivo que torna esse projeto tão cativante, é a destreza com que o diretor trabalha sua câmera. A essência do filme é altamente voyeurística, isso por que a situação parece tão corriqueira e familiar que nos sentimos na obrigação de ficar ali, vendo onde essa conversa vai parar. A câmera trabalha nesse sentido, os movimentos, ângulos e focos nos fazem sentir naquela varanda, junto da dupla e de um ou outro personagem periférico que aparece. Essa câmera funciona tão bem, que algumas vezes temos a nítida impressão de que se trata de um trabalho em primeira pessoa.

A dupla de protagonistas, formada por Ana Serradilla e Luis Arrieta, dá um show. Seus movimentos, suas falas e reações são tão espontâneas que chegam a parecer improvisadas. Ela dá vida a uma mulher independente, carismática e livre, enquanto ele faz o contraponto, sendo alguém mais contido e cheio de incertezas e medo. Os atores parecem bem confortáveis e a medida que o filme vai avançando eles demonstram ainda mais entrosamento e leveza em sua interação.

O roteiro tem aquela trivialidade que nos agrada, sendo algo que transita entre os textos de Kevin Smith e os de Richard Linklater, ambos especialistas em transformar momentos e diálogos aparentemente simplórios em filmes que agradam justamente por sua simplicidade. Talvez isso resuma esse filme, a maneira como ele transforma algo simples em cativante. Uma premissa que evoca uma chatice latente, mas que graças a uma produção honesta e fluída se transforma em uma experiência diferente e incrivelmente satisfatória. Você encontra essa pérola indie no catálogo da sempre maravilhosa, Netflix.

Nota: 8,0

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