Crítica: Predestination | Certas coisas estão determinadas a acontecer

719

746

Viagem no tempo sempre é um tema bastante fértil no cinema, mas também traz consigo uma certa polêmica, afinal é muito fácil derrapar e acabar sabotando suas próprias regras. Quando um filme consegue desenvolver seu roteiro sem cair em suas próprias armadilhas, além de ter todo o resto de seus aspectos igualmente bem realizados, nasce um novo clássico.

 

O filme dirigido pelos pouco experientes Irmãos Spierig, Michael e Peter, se baseia no conto ‘All You Zombies’ de Robert A. Heinlein, mesmo autor de Starship Troopers, e tem uma trama tão bem intricada e cheia de reviravoltas  que é até difícil dar uma sinopse, mas vamos lá: Ethan Hawke vive um agente temporal que se prepara para uma última missão, capturar um perigoso terrorista conhecido como ‘Fizzle Bomber’. Mas não se engane em pensar que o foco aqui será a perseguição ao terrorista diretamente, a trama conduzida pelos diretores acaba nos mostrando um ocasional encontro desse agente com um estranho em um bar. O estranho é John, e ele conta sua curiosa e trágica história desde quando ainda era Jane, uma garota que foi abandonada na porta de um orfanato a muito tempo atrás.

2013_04_23 predestination_0677_{053bcd80-9984-e311-8492-d4ae527c3b65}

O filme tem muitas coisas interessantíssimas, como as escolhas visuais minimalistas que se adequam ao enxuto orçamento, mas mesmo assim conseguem construir de maneira bastante convincente a atmosfera das épocas tratadas. Isso nos dá uma noção da habilidade dos diretores em driblar as “adversidades técnicas”, que não se vê em qualquer cineasta por aí.

 

A ideia central do enredo é extremamente original e bem montada, mas não escapa da tentativa daqueles espectadores mais cínicos (tipo eu) de tentar procura e racionalizar qualquer inconsistência que possa povoar o roteiro. Confesso que não consegui encontrar falhas nesse roteiro meticulosamente orquestrado de maneira tão inteligente. Todas as ‘suspeitas’ levantadas são respondidas após uma olhada mais atenta na obra. Por falar em atenção, os espectadores mais atentos podem até captar as pistas e desvendar o mistério antes da conclusão, mas isso passa longe de ser um demérito do filme, já que se ponto forte está mais na construção da jornada e em seus reflexos nos personagens, no que no destino em si.

maxresdefault

Antes de finalizar não posso deixar de elogiar a fantástica atuação de Sarah Snook, que se entrega ao papel de maneira intensa e entrega um desempenho camaleônico totalmente impactante. Ethan Hawke, que caprichou nos filmes lançados nesse ano, está mais uma vez carismático e convincente, apesar de estar ali mais para ajudar a vender o filme do que qualquer outra coisa.

 

Enfim, Predestination tem um alto fator mind-blowing muito bem construído pelos jovens diretores. Com uma trama magistralmente amarrada ele aborda um complexo paradoxo temporal sem insultar a inteligência do espectador, nem criar mais perguntas do que pode responder. Se junta a Coherence como uma das gratas surpresas da ficção científica independente de 2014.

 

Nota: 9,0

0 Total Views 0 Views Today