Em algum momento Charlie Brooker, criador de Black Mirror, e James Wan, diretor e criador da saga Jogos Mortais, entraram juntos em um avião. E essa frase que parece o inicio de uma piada ruim é a síntese da ideia de Panic Button (que em português ganhou o horrendo título de Pânico Virtual), um filme que, como diriam aquelas frases sensacionalistas que estampam pôsteres por aí a fora, “é o encontro de Jogos Mortais com Black Mirror, dentro de um avião (?!?!)”. Sem a genialidade de Brooker ou a inventividade de Wan, mas ainda sim com uma boa dose de entretenimento.

A trama acompanha quatro pessoas que participaram de um sorteio de uma rede social e ganharam um voo de graça para Nova York. Durante a viagem elas vão testar alguns jogos sociais a fim de conhecerem melhor uns aos outros. Mas a medida que o jogo avança e algumas revelações são feitas, eles percebem que quem está por trás dessa gincana tem planos sinistros para o grupo e vai ser difícil escapar dessa partida.

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O filme dirigido por Chris Crow foge um pouco da estrutura comum de um terror de baixo orçamento. É claro que a qualidade das atuações é pra lá de questionável e o cenário e a fotografia são bastante chinfrins, mas o projeto não tenta compensar isso com horror gráfico, sangue jorrando, música alta e jump scares. Ele aposta na tensão criada pela dúvida colocada sobre cada um dos personagens, afinal é um filme de terror e sabemos que em algum momento vai dar merda. A diversão está em especular de onde a merda virá, e cada detalhe exposto sobre o grupo muda a coisa de figura.

E fora esse clima de thriller e mistério, temos o fator “isso é muito Black Mirror, mêo”, que nos faz repensar nosso comportamento na internet e o quanto nossa privacidade está em xeque nos dias de hoje. Não só em relação ao que nós compartilhamos, mas com aquilo que assistimos, lemos, a parte mais passiva da interação. Misturando um pouco os conceitos de Shut up and Dance com Hated in the Nation, respectivamente terceiro e sexto episódios da terceira temporada, Panic Button nos coloca aquela pulga atrás da orelha e nos faz olhar com um pouquinho mais de cuidado para aqueles termos de uso que aceitamos sem nem checar se por acaso estamos cedendo nossa alma ao capiroto.

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Não dá pra dizer que Panic Button é um grande filme, mas ele serve para aqueles momentos em que você não tem nada melhor para fazer. Quem gosta daqueles suspenses estilo super-cine deve ficar satisfeito. Tem uma ideia bacana, traz uma reflexão interessante e tem umas referências a clássicos do cinema que fazem os fãs esboçar aquele sorrisinho de canto de boca. É um terror barato que não dói, e o melhor (ou não) é que está na Netflix.

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Avaliação.
Bom

Vinicius Salazar

Um estudante de história de 23 anos que ama filmes, bons e ruins, e acha que tem algo a dizer sobre eles.

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