Crítica: Palo Alto | Mais uma Coppola dá as caras no cinema

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O gene da família Coppola segue se espalhando pelos corredores cinematográficos da vida. Dessa vez é a neta de Francis, Gia, que se incursiona pela primeira vez na missão de roteirizar e dirigir um longa metragem. Baseado nos contos escritos pelo ator James Franco, ela entrega um drama adolescente que traz algumas influencias familiares, mas ainda assim carece de identidade.

 

A trama acompanha a tímida April (Emma Roberts), uma garota normal que vive seus dias de tédio adolescente dividida entre uma paixonite mal resolvida com Teddy (Jack Kilmer), um garoto talentoso, mas sem personalidade, e um flerte com o treinador do time de futebol, Mr. B (James Franco). Também temos Fred (Nat Wolff), um adolescente sem limites que carrega Teddy para suas maluquices destrutivas. Enquanto isso, vamos acompanhando o desafio desses jovens em se encontrar em meio ao vazio de suas vidas.

 

Palo Alto não esconde suas influências e vem carregado com as características do subgênero de drama independente voltado ao público adolescente, que busca tirar o brilho do frescor e liberdade dessa fase da vida e substituí-lo pelo cotidiano problemático, sem perspectiva, com dificuldades de comunicação e com a imensa solidão e melancolia, preenchido pelo uso corriqueiro de drogas e dificuldade de comunicação entre gerações.

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Infelizmente a insistência em deixar claro suas inspirações acaba engessando um pouco a história, e evidenciando o excesso de trivialidade que povoa o roteiro. Não há nenhum aspecto que desperte maior interesse, o texto se preocupa tanto em reforçar o vazio da vida dos adolescentes, que acaba esquecendo-se de formular um plot minimamente interessante. Esses detalhes escancaram a inexperiência de Gia como diretora, que assim como seus personagens não sabe o que fazer ou aonde quer ir.

 

Os personagens que devem ser a chave da identificação com o público não convencem em suas convicções, nem em seus dramas ou dilemas. Alguns chegam a ser desprezíveis, como o rebelde Fred (Nat Wolff), que irrita durante todo o filme e nas poucas vezes em que tenta se desenvolver o “porquê” de sua personalidade autodestrutiva, tudo soa extremamente estereotipado e superficial.

 

Apesar de demonstrar lampejos de alguma coisa a dizer e contar com certa pericia técnica, além dos atores em papéis convincentes, Palo Alto falha como estudo de uma geração e de seus ritos. A inexperiência de Gia impede um maior controle sobre a narrativa e transforma o longa em algo raso e muitas vezes entediante. Torço bastante para o amadurecimento de mais uma “Coppola” como cineasta, mas sua primeira incursão é esquecível e não muito recomendável.

 

Nota: 4,5

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