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Agosto de 2010, 33 mineiros estavam iniciando seu turno diário na mina de San José, nas redondezas da cidade de Copiapó, no norte do Chile, quando um desabamento fechou todas as saídas do local, deixando os trabalhadores presos a 700 metros de profundidade, sem comunicação com o mundo exterior e com suprimentos insuficientes para mantê-los vivos por muito tempo. A pressão popular e a atenção que a mídia global deu ao ocorrido resultaram em um dos maiores esforços de resgate que se tem lembrança. Uma história real fascinante que poderia ter rendido um filme tão fascinante quanto, mas que na mão de um time de roteiristas equivocados e de uma diretora inexperiente, se tornou um disaster-movie como tantos outros.

O filme segue a risca a cartilha Hollywoodiana de filmes-desastre, começando com a apresentação do grupo de personagens que serão destacados e seus pequenos dilemas, na intenção de criar um envolvimento do público para com eles. Entre problemas conjugais, financeiros e um bebê que está por vir, temos o típico caso de reconciliação familiar que serve como um dos motores da trama. Depois disso temos o “desastre” em si, para imediatamente voltarmos a atenção para os esforços de resgate, onde não precisaremos nos aprofundar no drama real, nem na humanidade dos personagens por quem realmente deveríamos nos interessar.

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Em filmes-desastre comuns sabemos desde o inicio os personagens que não estão em risco realmente, seguimos adiante por que é divertido, mesmo sabendo como e onde aquilo vai terminar. Isso em filmes completamente ficcionais, como o caso aqui é uma história real e mundialmente conhecida, esperava um cuidado maior em tentar trabalhar a tensão da situação, a claustrofobia com que os mineiros tinham que lidar, já que o resultado nós conhecemos bem, mas nem isso a diretora Patricia Riggen conseguiu criar.

Em meio à enxurrada de clichês desse tipo de produção, não poderia faltar a inserção de alívios cômicos para “aliviar a gravidade” da situação e aqui eles estão em todo canto. Para forçar um apelo emocional, James Horner em um de seus últimos trabalhos, entregou uma trilha sonora altamente manipulativa. Temos frases de efeito, pieguice e uma das cenas mais vergonha alheia dos últimos tempos. O pacote completo.

Então o filme é terrível? Depende, se você procura uma obra que transmita dez por cento da tensão e do escopo que o evento real transmitiu, sim, é um filme terrível. Caso você seja, como eu, um admirador das obras cativantes e descartáveis como 2012 e A Falha de San Andreas, ou toda a filmografia do Roland Emmerich, nem tanto. Como eu disse, o pacote está completo, temos personagens unidimensionais e estranhamente heroicos vividos por um elenco carismático, no caso, Juliette Binoche, Rodrigo Santoro e Antonio Banderas.

Enfim, encare Os 33 como um filme desastre comum e você pode até se divertir, espere um retrato da fascinante história real e saia completamente decepcionado. Está na minha categoria de guilty pleasure, mas como obra a ser levada a sério é absolutamente falha.

Nota: 6,0  

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