Crítica: O Protetor | Salvo pelo carisma de Denzel Washington

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Desde o sucesso incontestável da primeira colaboração entre Antoine Fuqua e Denzel Washington no clássico moderno do cinema policial, Dia de Treinamento, muitos aguardavam ansiosamente por esse reencontro. Infelizmente a experiência que ambos adquiriram nos anos que precederam essa reunião não ameniza todos os defeitos do projeto, nem sua clara intenção de iniciar uma franquia.

 

Robert McCall (Denzel Washington) é um homem pacato e metódico que mantém uma rotina simples, trabalhando em um hiper-center durante o dia, e durante seus períodos de insônia indo sempre a mesma lanchonete para tomar alguma coisa e ler um livro. É lá que ele faz amizade com a jovem prostituta Teri (Chloe Grace Moretz), e ao vê-la sendo espancada por seu cafetão resolve fazer justiça com as próprias mãos. Isso acaba por colocá-lo na mira dos líderes do crime organizado russo.

 

The Equalizer tem vários problemas, mas não podemos negar que se trata de um filme honesto, que não nega suas origens em uma série dos anos setenta e põe Denzel como um justiceiro urbano que volta a ativa já veterano, tema cada vez mais em voga nos filmes de ação atuais (Liam Neeson que o diga), e que remete muito a época de lançamento da série e principalmente a década posterior.

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A trama extremamente simples se desenrola de maneira linear e se esforça para preencher as mais de duas horas de duração do filme, nem sempre obtendo êxito. Algumas cenas que são colocadas com a intenção de construir a “fodacidade” do protagonista e de estabelecer sua conexão com os oprimidos, acabam por soar como pura encheção de linguiça, apesar das boas intenções.

 

A longa duração também não ajuda a desenvolver os personagens do filme como seria de se esperar, então todos eles servem apenas de engrenagem para Fuqua transformar McCall em um daqueles caras fodões que não olham para explosões, mas tudo sem profundidade alguma.

 

As cenas de ação que exploram bastante a imagem de Denzel são bem executadas, mas são muito poucas e esparsas para um filme de gênero. Cabe ao ator usar seu carisma para preencher os momentos de “paradeira”, pelo menos Denzel é e sempre será capaz de cativar o público e junto com seu antagonista, muito bem interpretado por Marton Csokas, conseguem manter o interesse do espectador.

 

Enfim, The Equalizer se apoia muito no carisma dos atores e nos poucos momentos de ação estilizada, mas é um filme bastante desnivelado e com vários problemas de desenvolvimento. Não faz jus a expectativa de uma grande reunião, mesmo assim conseguiu construir um terreno fértil para continuações e pode ter aí seu ponto mais promissor.

 

Nota: 6,0

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